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Pra começo de conversa:

Você é altamente egoísta em tudo. Tudo. Todas as suas atitudes são em benefício próprio e mais nada. Você pode discordar, mas eu não estou errada. Então pare de se fazer de alma caridosa e preocupada com os assuntos do mundo. Você simplesmente não se importa. E eu e você sabemos disso.

Segundo ponto:

Seu cachorro não te ama. Ele obedece aos instintos de matilha dele. Quando você se torna o alfa da matilha, ele é submisso a você. E é disso que você gosta: submissão. Você chama isso de amor incondicional porque, encaremos os fatos: você precisa de alguém que dependa exclusivamente de você pra se sentir amado, útil e suprir esse vazio que você é em meio a sete bilhões de outros seres humanos tão descartáveis quanto você.

Terceiro ponto:

Albert Einstein uma vez disse que todo espírito grandioso encontra a oposição violenta de mentes medíocres.
Malcolm X e Martin Luther King provam mais uma das teorias de Einstein.

Com isso dito, não, eu nunca fiz um aborto. E não, eu não sou uma feminista com pernas peludas e uma amante chamada Marta. Não fui abusada sexualmente durante a infância e não tenho raiva de homens. Então relaxa. Guarde seus argumentos irracionais para quando seu time de futebol perder o campeonato, por um gol, na final.

Meu ponto é que eu nasci com uma vagina e fui hostilizada por isso durante dezenove anos, em um país no qual eu não tinha direitos civis. Cresci achando que isso era normal. Eu ainda não tinha relacionado todo sofrimento da minha vida ao fato de ter nascido mulher… Até que eu saí do país. Até que eu me formei na universidade. Até que eu conheci a história do movimento feminista.

E então eu olhei para todas as brasileiras que eu tinha conhecido até ali, incluindo minha mãe, minhas tias, minhas irmãs… E senti uma pena profunda do produto machista no qual elas tinham se tornado.

Eu tinha sido criada para me sentir inferior. Sempre. Então eu me casei e pensei que eu nunca seria alguma coisa senão a sombra de um homem que me ajudava a terminar a faculdade. Só tinha um problema: eu sentia que estava tudo errado.

Não foi até eu me separar que eu descobri que, em menos de seis meses, eu estaria ganhando o dobro do que o meu ex-marido ganhava. Não que eu seja o que eu ganho. Não que eu não estivesse agindo como um homem. A verdade é que eu era só alguém que tinha se libertado da condição de escrava. Eu era qualquer outro ser humano livre.

Teddy Roosevelt uma vez falou que a única coisa da qual nós devemos ter medo é o próprio medo.

Talvez o medo da oposição violenta de mentes medíocres.

É.

Muito provavelmente o medo da oposição violenta. Por isso eu e você somos só gados esperando pelo abate.

Por isso você nunca vai ser Malcolm X.

Por isso eu nunca vou ser Martin Luther King.

Eu e você estamos muito preocupados em pagar contas e comprar um apartamento antes dos 40 anos. Eu e você, somos só dois conformados tentando parecer que valemos alguma coisa.

E ah! Por falar em 40 anos… o Brasil está há exatamente 40 anos de distância dos países desenvolvidos nos quais as mulheres têm direitos civis plenos. Eu olho para as brasileiras que opõem a legalização do aborto e vejo a reflexão assustadora da alegoria do escravo de Platão. Eu me vejo, aos quinze anos.

Aborto não é uma questão moral de defesa do feto, é uma questão social dos direitos da mulher. A mulher, que foi considerada inferior pelos maiores pensadores da história.

De Platão a Hegel, minha amiga, você vale tanto quanto um escravo.

Então é claro que vão te comparar a Stalin se você for pró legalização. Vão falar que você é egoísta e não quer a inconveniência de uma criança na sua vida. Óbvio. Não foram eles que foram criados por mães solteiras, doentes e viciadas.

Eu fui.

Eu fui o feto que deveria ter sido abortado e nasceu. Eu sou o feto que você defende. Então acredita quando eu falo: sua defesa em meu favor não valeu de nada. Porque depois que eu nasci, você nunca veio me defender, nem me ajudar, nem me adotar. Eu não te vi quando eu fui espancada, humilhada ou hostilizada. Você não pagou pela minha faculdade, não me ajudou com a lição de casa, não me ensinou a andar de bicicleta.

Na verdade, eu e você nem nos conhecemos.

Então baixa essa sua bola de Madre Teresa pró vida. Até você esvaziar orfanatos e criar filhos que não são seus, você é só mais um ocupando espaço no planeta.

Para criar um criminoso, basta criar um crime. Para criar uma classe marginalizada, basta criminalizar um comportamento comum a esta classe. Para se sentir melhor sobre você mesmo, basta inferiorizar alguém.

E só pra terminar:

Malcolm X não lutou pelos direitos feministas. Martin Luther King não lutou pelos direitos homossexuais e judeus nunca fazem filmes sobre o holocausto armênio. Então, minha cara, não espere que algum homem lute por algo que, por essência, é sua batalha.

Ao voltar para São Paulo, em uma visita breve, tive uma conversa sobre esse assunto com um amigo.

- Seu problema é que você pensa demais, Sbaile. – Ele comentou, com um sorriso sarcástico.

- Engraçado. Eu acho que o seu problema é exatamente o contrário. – Eu respondi, com pena.

Kassab acorda e vê um homem de camisa pólo sentado em sua cama.

KASSAB: Ai, camisa pólo. Que horror! A gente fez sexo? Não lembro de você. Sai daqui!

HOMEM: Eu sou seu personal funcionário público do inferno.

KASSAB: Oi?

HOMEM: Sr. Gilberto Kassab, né? O senhor morreu ontem. Está no inferno.

KASSAB: No inferno? Como assim, no inferno? É por que eu sou gay? É porque eu sou gay, né? Ai, mas olha, eu tentei…

HOMEM: Não. Não é porque o senhor é gay…

KASSAB: Só pode ser porque eu sou gay.

HOMEM: Ok. É porque você é gay.

KASSAB: Sério?

HOMEM: Não, brincadeira. É porque você superfaturou obras e roubou dinheiro público. Ah, e teve também aquele lance da sua lei cidade limpa, isso contou dois pontos na sua qualificação.

KASSAB: Ah…

HOMEM: Sr. Kassab, segundo as ordens de Stalin, o senhor ficará na casa dos árabes até que nós achemos um lugar mais apropriado.

KASSAB: Dos árabes?

HOMEM: É. Hussein, Osama e Gadhafi.

KASSAB: Cê tá loco, meu filho? Esses caras são muçulmanos! Ditadores! Eu só superfaturo coisa. Eu não sou genocida, não, meu amigo!

HOMEM: Seu nome é Kassab e você tá no inferno. Não dá faniquito, hein! Além disso, você já tá morto. O que eles vão fazer? Te matar? Gadhafi é recém chegado também…

KASSAB: Ah é. Verdade.

HOMEM: Vamos! Levanta dessa cama que a gente tem que pegar o Jardim Miriam.

KASSAB: Oi?

HOMEM: O Jardim Miriam. É um ônibus.

KASSAB: Oi?

HOMEM: Ah, vá se foder! Levanta logo dessa bosta de cama, seu porra!

KASSAB: Pra onde a gente tá indo?

HOMEM: Capão Redondo.

KASSAB: Brincou!

HOMEM: Não, é sério. E ó, a primeira viagem é de graça, depois você vai ter que pagar pelo seu próprio bilhete único. Três reais por viagem, e metrô só paga metade. Antes um dos dois era de graça, mas o Stalin decidiu que não, agora tem que pagar metade…

KASSAB: Pagar?

HOMEM: É, você tem 540 reais e um trabalho de feirante. Te arrumei uma boiada. Stalin me falou pra te mandar ser placa de “vende-se ouro”. Eu falei que não, que você era político importante e tudo mais…

KASSAB: FEIRANTE? EU FIZ POLI! EU SOU ENGENHEIRO, SEU FILHO DA PUTA! E VOCÊ VEM ME FALAR EM SER FEIRANTE?

HOMEM: Segura a sua onda que aqui é lei que feirante não pode gritar! Já faz uns anos que essa lei…

KASSAB: Essas leis são minhas! MINHAS! Eu que fiz essas leis! Esse viado do Stalin só me copiou!

HOMEM: Se a porra da lei é sua, então cala a boca logo, seu feirante desgraçado. É lei! Não pode gritar!

KASSAB: MAS EU…

HOMEM: Shhhh! Quieto!

Kassab e seu personal assistente público chegam ao Capão Redondo.

HOMEM: Chegamos. Agora você já sabe, né? Amanhã chego aqui às três da manhã pra gente ir armar a barraca de peixe. Esteja pronto e com seu bilhete único na mão.

KASSAB: Mas, mas… Tem uma obra aqui do lado! Isso vai fazer esse barulho a noite toda?

HOMEM: Mano, na boa. Cê tá no inferno! Para de achar que isso aqui é mordomia! Ó! Eu vou embora…

KASSAB: Não! Espera! Olha… Se eu tenho 540 reais por mês, pego dois ônibus e um metrô por dia, são nove reais por dia só em transporte. Multiplica nove por vinte, cento e oitenta. Cento e oitenta menos 540 é 360! 360 reais!

HOMEM: Senhor Kassab, eu já tô perdendo a minha paciência com o senhor… Eu vou embora, é sério. Amanhã, às três…

KASSAB: Pelo amor de Stalin! Me arruma um cargo com o Hitler! Eu sou economista também! Eu, eu…

HOMEM: VAAAAAGAAAABUNDO! SAI DAQUI! SAI DAQUI! SAI DAQUI! VAGABUUUUUNDO!

Kassab chora, espernea e bate o pé.

HOMEM: Olha, eu sou calmo, mas o senhor me tirou do sério. E não vou me desculpar pela minha indignação!

KASSAB: Mas isso é tudo meu! Essas leis são minhas! Até essas suas falas são minhas!

HOMEM: Bem vindo ao inferno!

Nota ao leitor: todos os personagens desta crônica são menos fictícios do que deveriam ser.

Quando eu me mudei para os Estados Unidos, deixei toda minha herança para minha irmã doze anos mais nova, a Amanda. Ela herdou quase todos os meus discos de vinil, uma coleção de livros, algumas roupas e talvez uma caixa de O.B.s.

A Amanda foi o mais próximo que eu tive de ter uma filha. Passei inúmeras tardes ajudando a menina com lição de casa, levava à festas de aniversário, jantávamos juntas, eu ensinava ela a cantar Toy Dolls e Ramones, e em troca ela fazia xixi na minha cama e quebrava minhas coisas.

Quando retornei ao Brasil para uma visita, a Amanda estava lá no aeroporto me esperando. Fomos pra casa, e foi aí que eu percebi que havia alguma coisa de errado com ela.

Olhei bem pra cara da minha irmã e indaguei:

Eu: Amanda, você tá loira.

Amanda: Não, eu sempre fui loira.

Eu: Não, não. Você está mais loira. Você pintou o cabelo?

Amanda: Ah, então, só fiz umas luzes.

Eu: Hm. E cadê minha coleção de vinis?

Amanda: Encaixotada.

Eu: Você não quis nenhum, huh?

Amanda: Não, não. Tem mp3 agora, né Carol?

Eu: Hm. E os livros?

Amanda: Ah, não sei.

Eu: E o que é aquele pano de oncinha pendurado na porta?

Amanda: Ah, é meu vestido pra festa de aniversário da Má.

Eu: A Má?

Amanda: É, minha amiga Mariana.

Eu: Hm. Mãe! Mãe, vem aqui!

Mãe: Que foi, filha?

Eu: Você tem conhecimento sobre o desinteresse da Amanda em coisas legais? A menina não lê, não escuta discos de vinil, usa vestidos de oncinha…

Mãe: Amanda, eu acho que é hora de você se abrir com a sua irmã…

Amanda: Ai mãe, mas a Carol não tá preparada…

Eu: Preparada? Pra quê? Agora fala!

Mãe: Filha, sua irmã é piriguete.

Amanda: Sim, eu sou piriguete.

Eu: AAAAAAAAAAAAAAAHHHH!

Amanda: Falei que ela não tava preparada. Agora aguenta o discurso pseudo-liberal dela…

Eu: Não, Amanda, calma! Isso é uma fase! Aposto que é essa tal de Má aí que você tá andando… Você não é assim. Eu te criei na mamadeira do Black Flag, no feminismo, na revolta adolescente, nas botas Dr. Martens…

Amanda: Irmã, piriguetismo não é opção. Eu lembro dos seus ensinamentos, dos seus esforços… Mas a verdade é que… Eu sempre fui piriguete, desde pequena. Eu só quero ser livre pra ser quem eu sou!

Mãe: Carol, aceite sua irmã e ame-a assim, como ela é. Piriguetismo não é doença, filha.

Eu: Não! Nunca! Não nesta família! Não depois de tudo que eu fiz por essa menina!

Amanda: Você não entende, irmã! Essa sou eu! Uma pessoa que sente prazer em postar centenas de fotos de biquíni no facebook, em usar vestidos curtos com saltos altos e em ser loira. Eu não sou você! Eu não ouço Queen no vinil, eu me jogo em um mp3 de sertanejo! Eu não leio Kafka, a Revista Nova é minha Deusa! E, já que estamos falando nisso, o cachorro comeu seu pôster do Malcolm X.

Eu: AAAAAAAAHHH! AAAAAAAAAH! Não o Malcolm! AAAAAH! EU NÃO AGUENTO TANTA DESGRAÇA NUMA FAMÍLIA SÓ!

Meu pai chega em casa.

Pai: Mas o que está acontecendo aqui, hein?

Mãe: A Amanda saiu do armário pra Carol.

Pai: Ah. Deixa eu adivinhar: a Carol tá tendo chilique porque a irmã é piriguete?

Mãe: É, já era de se esperar, né?

Pai: Carol, senta aqui. Deixa eu te explicar uma coisa…

Eu: (com lágrimas nos olhos) Fala, pai…

Pai: Filha, veja bem. Eu sei o que você está passando. A Amanda é como uma filha pra você, mas acredite: ela é minha filha, e eu sofro em dobro. Assim como eu sofri com você, porque afinal, eu tenho um Q.I. extraordinário, sou engenheiro e inventor. E olha pra você: ainda não saiu da continha de dividir com vírgula, nunca lembra que o expoente vem antes do parênteses, ficou de recuperação a vida toda, só passou em química no colegial porque eu fui lá mentir para o seu professor que sua mãe tinha morrido e você estava em uma fase atormentada, e você também…

Eu: Tá, tá… Já saquei! Chega!

Pai: Mas eu tive que aceitar suas limitações intelectuais, e entender que não ser muito inteligente não é uma escolha.

Eu: Verdade…

Pai: Você vê, filhos são projeções egoístas dos pais. Eu queria que você fosse São Paulina, cientista, talvez até astronauta, mas você se tornou só uma corintiana, violinista frustrada com meio diploma em cinema. E eu te amo mesmo assim. Você odeia matemática, mas não é porque pensa que a matemática é má ou nociva, é porque você não entende. Dado este fato, você não entende o piriguetismo, por isso a revolta contra sua irmã. Nestas horas, pense com a razão, filha. A razão.

Eu: Ai, você está certo!

Pai: Eu sei. Já te falei que tenho um dos Q.I.s mais altos do Brasil e que inventei um robô que…

Eu: Já, já… Chega.

Pai: O ódio pelo diferente vem do desconhecimento, daquilo que… Você tem alguma maconha aí?

Eu: Tenho.

Pai: Acende aí. Faz tempo que não tenho um dia de paz. Moro em uma casa com uma mulher e uma piriguete.

Eu: Machista.

Pai: Não. Racional.

Eu: Pai, eu realmente não entendo porque maconha ainda é ilegal…

Pai: Olha, pra ser sincero, do jeito que as coisas andam com a sua irmã, estou mais preocupado com a legalização do aborto…

Eu: É, você tem razão.

Pai: Eu sempre tenho razão. Aliás, você quer ver o meu novo robô? Ele solta papel picado em estádios de futebol. É pra copa!

Eu: Honestamente? Não.

Pai: Ah… É, às vezes eu me empolgo e esqueço desse seu desinteresse em coisas legais.

Eu: Fuma aí e vamos assistir Enemy Mine.

Pai: Ok.

Então, eu não tenho filhos e não pretendo ter. Mas não é um treco super feminista do tipo “Eu preciso da minha liberdade”. Eu já não tenho vida, então com filho ou sem filho, eu já cumpro com a minha cota de mulher fodida nesse mundão de meu Deus.

Não quero ter filhos porque tenho medo que meus peitos caiam, e também porque sempre tive medo de fazer sexo grávida e o leite do meu peito começar a esguichar no meu marido, estilo Kill Bill versão leite materno.

É sério. Estes são pontos muito importantes a se considerar.

Portanto, eu morro de medo de gravidez.

Mas é claro, o pior vem depois: quando você tem que criar aquele ser humano e ensinar coisas a ele, além de obriga-lo a comer brócolis, incentivando-o com rimas do tipo “Vegetais são legais! Uhu!”.

E uma das coisas que muitos pais ensinam aos filhos é religião. No mundo jovem liberal de hoje, talvez você pense que isso é um pouco ultrapassado, mas não. Muitos pais ainda dedicam seu tempo a ensinar sobre Ele, óóó grande poderoso, Deus.

Então vamos lá. Quem é Deus?

-       Quem é Deus o caralho, Sbaile! Quem é você pra falar de Deus?

Eu, ao contrário do Bispo Macedo e do Pastor Malafaia, estudei teologia. Não me julguem, fui obrigada, tive que fazer PUC porque não passei na USP.

O curso de teologia, ao contrário da sua aulinha de catecismo, fala sobre religião com um ar meio que intelectual. Nenhum professor me falava que ele era dono da verdade, que a Bíblia, o Torá ou o Alcorão eram sagrados, nem nada disso. Os professores simplesmente explicavam religião.

Aí eu fico pensando. Se eu tivesse um filho, como eu, Carolina Sbaile, explicaria religião a ele? Porque, né? Criança faz perguntas.

Filho Imaginário: Mãe, o que é religião?

Eu: É uma doutrina sem qualquer referência histórica na qual as pessoas acreditam porque elas precisam de estímulos para serem felizes.

Filho Imaginário: Por quê?

Eu: Porque o mundo é uma merda e todo mundo precisa acreditar em alguma coisa.

Filho Imaginário: Você acredita em religião, então?

Eu: Não, por isso eu sou alcoólatra.

Filho Imaginário: Mas o que é Deus?

Eu: Então, Deus era um cara bem fanfarrão, filho. Ele era doidão. De acordo com o velho testamento, no qual nós, os judeus, deveríamos acreditar, Deus criou o mundo em sete dias. Ficou lá criando coisas: árvores, mar, animais, a poliomielite e tudo mais. Aí ele criou Adão, e da costela desse cara aí, o Adão, ele criou uma mulher chamada Eva.

Filho Imaginário: E aí?

Eu: Então, eu falei que Deus era um fanfarrão, né? Ele criou uma maçã com drogas alucinógenas dentro dela, tipo ácido, LSD. Você não sabe o que é isso, mas é um treco que deixa a pessoa muito louca. E aí Deus falou pra Eva e Adão: “Vocês podem comer tudo, menos aquela maçã”. Só que a Eva tinha acabado de nascer e já era adulta, então ela ainda tinha uma mentalidade de uns oito anos de idade, tipo a Sandy, sabe?

Filho Imaginário: Sei.

Eu: Aí ela foi lá e comeu a maçã. Ficou doidona. Alucinou de vez. Chamou Adão e falou: “Adão, você pre-ci-sa ver isso, cara! Eu comi essa maçã e agora tem uma cobra falando comigo! Tô doidona!”. Aí ,você imagina só: a vida deles devia ser chata pra cacete porque Deus não criou a internet, a televisão nem o videogame. Então Adão respondeu: “Porra, Eva! Me dá essa maçã aí que eu também quero ver a cobra falando!”.

Filho imaginário: E ele viu?

Eu: Viu. E ficaram os dois lá, falando com a cobra. Só que, de repente, vem Deus – o fanfarrão – lembra? E fala: “Caralho, mas vocês são foda, hein? Eu não já não tinha falado que não era pra comer essa maldita maçã? Fodeu. Ser Pai com P maiúsculo é padecer nessa merda de paraíso que eu mesmo criei! Agora vocês vão ter que queimar no inferno. Estão de castigo, os dois! Vamos! Já pro inferno! E se eu ouvir choro vai ter violência, hein!

Filho Imaginário: E eles queimaram no inferno?

Eu: Não filho, foi tudo efeito do LSD que eles tomaram. Mas, de acordo com o velho testamento, eles saem da história e deixam dois filhos: o Caim e o Abel. Agora, presta atenção nessa parte que é importante: existe algo chamado incesto. Incesto é quando você faz sexo com alguém da sua família. E incesto é sério, porque gera filhos defeituosos. Como Eva saiu de uma costela de Adão e os dois eram filhos do mesmo pai, Deus no caso, os filhos deles foram fruto de um incesto. Aí, o que acontece?

Filho Imaginário: O quê?

Eu: Caim nasceu doido. Era esquizofrênico. Foi lá e matou Abel.

Filho Imaginário: Nossa! E aí?

Eu: Não sei, mas por algum motivo, a história da humanidade vem disso. Um casal que foi pro inferno com um filho esquizofrênico que matou o irmão. E, como todo mundo praticava incesto naquela época, porque não existiam muitas pessoas, a sociedade foi ficando demente e defeituosa.

Filho Imaginário: Mas como Deus lidou com isso?

Eu: Então, aí Deus foi ficando cada vez mais impaciente. Ele pensava: “Puta que o pariu! Eu nunca deveria ter criado essa merda! Olha o quiproquó que isso deu! Vou ter que ser tirano. Vou ficar fascista e ver se isso resolve.” E Deus começou a escolher umas pessoas aleatórias pra atormentar, tipo um cara chamado Abraão. Deus vira pra esse coitado, do nada, e fala:

-       Abraão, meu filho. Vem cá!

-       Que foi, Deus? – Abraão acha super normal que Deus tenha vindo falar com ele do nada, porque Abraão também é esquizofrênico.

-       Abraão, seguinte: quero que você vá no alto de uma montanha e mate seu filho lá.

-       Por que numa montanha?

-       Sei lá. Achei que seria mais dramático.

-       Ah, tá bom.

E Abraão leva o filho até a montanha. Mas quando ele está há um passo de matar o moleque, Deus aparece de novo, e fala:

-       Porra, Abraão! Eu tava brincando, bicho! Não mata o cara! Ele é seu filho, seu alucinado! Aonde já se viu o pai matar o próprio filho? Isso só vai acontecer daqui uns mil e poucos anos, quando o Marvin Gaye será assassinado pelo próprio pai. Calma… Ainda não é a hora, mano!

Filho Imaginário: Mas por que Deus fez isso, mãe?

Eu: Sinceramente, filho… Eu acho que nesse ponto, Deus já tava no crack. Ele não andava nada bem. Além disso, ele tinha poder absoluto, tipo Stalin e Fidel… Você sabe que poder absoluto corrompe, né? Os caras perdem a linha.

Filho Imaginário: Quem mais ele atormentou?

Eu: Putz, uma galera! Ele fez Moisés andar pelo deserto durante quarenta anos…

Filho Imaginário: Quarenta anos?

Eu: Pois é. Mas isso fez de Moisés um atleta. O coração dele ficou em tão boa forma que ele só foi morrer aos 120 anos! Teve um outro também, um cara chamado Jonas, que morou dentro de uma baleia por três dias.

Filho Imaginário: Não, mãe! Esse é o Geppetto do Pinocchio!

Eu: Tá, tá. Eu sei. Mas Jonas já tinha morado na baleia antes do Geppetto.

Filho Imaginário: Mas e Jesus, mãe?

Eu: Ah, esse era um hippie comunista que não gostava dos ricos. E como nós, judeus, somos cheios da nota, a gente matou ele. Mas Jesus é coisa dos cristãos, e é tudo mentira! Ele nunca existiu, filho.

Filho Imaginário: Mas os cristãos não acreditam em Adão e Eva e outras coisas dos Judeus? Por que a gente não acredita nas coisas dos cristãos?

Eu: Pois é. Eles acreditam, mas andar de cartola e cachinhos, tudo vestido de preto, passando um calor desgraçado e tendo que aprender hebraico eles não querem, né? Malditos cristãos! Eles só se apropriam das coisas, desde o Império Sagrado Romano essa putaria de se apropriar tá rolando! É por isso que a gente é melhor que eles, filho. Nós somos o povo escolhido, não se preocupa. Porque… Cobra que fala? Tudo bem. Agora um cara que anda sobre a água e faz milagres? Puta coisa de gente doida! Nunca acredite nisso! É balela pura!

Aos dezessete anos, eu queria mudar o mundo (ô ingenuidade), então fui fazer cinema, porque eu acreditava que era a TV, a TV e mais nada, que conseguiria mudar o mundo (ô ingenuidade).

Ainda não mudei nada, até a cor do meu cabelo continua a mesma. Só o que consegui foi um trabalho em um canal americano – sim, faço parte do mundo corporativo, imperialista e totalitário dos yankees. E, acreditem se quiserem: um dos meus maiores medos é voltar a trabalhar no Brasil.

Não, não é porque os salários são melhores  aqui no primeiro mundo, até porque, eles não são. É porque eu tenho medo da TV brasileira mesmo.

Vocês vejam, aqui no meu canal, o apresentador da sexta-feira à noite, Bill Maher, pode falar palavrões, xingar celebridades e fazer piadas políticas, inclusive em época de eleições. Mas Bill é um liberal assumido, que não massacra minorias com piadinhas bestas. Bill não é CQC, muito menos Zorra Total. Maher se formou em Letras e História por uma das melhores universidades do mundo e, assim como essa que vos escreve, é um maconheiro assumido.

Enquanto isso, na sala da justiça…

… Quem não se lembra, nas eleições passadas, quando piadas sobre os presidenciáveis foram proibidas por lei no Brasil? Ou quando a Soninha Francine foi demitida da TV Cultura por admitir que fumava maconha? Ou, pior que isso tudo, quem não se lembra de Detonautas no último Rock in Rio?

A mídia brasileira não é mídia. É média. Média em tudo: conteúdo, opinião, humor e entretenimento.

A celebridade brasileira é oca, tonta… Mas geralmente boa de bunda. Ela passa a vida sendo morna, aparecendo no Vídeo Show, pra finalmente terminar em uma área VIP do Rock in Rio assistindo aos Detonautas (argh!).

E aí, a Nossa Senhora Folha de São Paulo publica a seguinte matéria: “Sabrina Sato pensa que o Brasil não está preparado para a legalização do aborto”.

Ah, Sabrina Sato, aquela socióloga.

Hey, Folha, aqui vai mais uma pra página principal de vocês:

“Biscoitinho da sorte chinês diz que você precisa abrir sua mente para o autoconhecimento”.

Sim! Ele! O biscoitinho da sorte, aquele filósofo.

E, nesse embolado de média, proibições e  conteúdo altamente inútil, a mídia mantém o brasileiro em seu constante estado de mediocridade.

E, o brasileiro que assiste a essa TV e lê estes jornais, por sua vez, mantém a mídia em seu constante estado de mediocridade.

Aí você me pergunta se eu quero trocar Bill Maher por Arnaldo Jabor? Conan O’Brien por Jô Soares? Jon Stewart por Marcelo Tas?

… Nah, tô bem aqui, de onde eu posso chamar Jô Soares de ultrapassado, Arnaldo Jabor de meia-boca e Marcelo Taz de burro. E, o que é melhor, fazer isso de um país no qual a lei da liberdade de expressão não permite que eles me processem.

Existem três tipos de pessoas no mundo: as que nasceram de pais ricos, as que conseguiram dinheiro enquanto relativamente novas e o resto.

Oi. Meu nome é Carolina Sbaile, e eu sou o resto.

Nasci pobre, continuo pobre e minto pra mim mesma todos os dias quando acordo:

“É possível ganhar dinheiro trabalhando! É possível ganhar dinheiro trabalhando!”.

Pra completar, eu nunca fui muito inteligente. Minhas notas eram péssimas, e continuam péssimas, porque eu nunca terminei a faculdade. Tenho que terminar a faculdade, porque todas as pessoas que ganharam dinheiro sem faculdade são:

A- Geniais (carinha do facebook)
B- Filhos de pais ricos (Sandy)
C- Putas (Bruna Surfistinha)
D- Todas as anteriores (Paris Hilton)

Eu não sou nada disso. Não sei cozinhar, desenhar, tocar guitarra, dançar, costurar, fazer continhas de dividir com vírgula, nunca consegui resolver o cubo mágico e não faço sexo anal.

E falo desse lance do sexo anal porque isso acaba com todas as minhas chances de, caso nada mais dê certo, virar puta. Eu nunca poderia colar uma etiquetinha em um orelhão dizendo:

“Sbaile faz tudo”

Propaganda enganosa. Além disso, se for pra virar puta, você tem que tomar essa decisão enquanto é nova, porque puta velha não faz carreira nesse mundo de meu Deus.

Minha hora passou.

Agora lido com um outro problema: ser gostosa. Há uns quatro ou cinco anos atrás, isso não era um problema, mas agora é. E olha, eu nem quero ser gostosa nível Mulher Melancia.

Só gostosinha já tá valendo.

A verdade é toda minha intenção em ser gostosa é puramente sexual. Nesse caso, talvez eu devesse falar que estaria satisfeita em ser comestível.

As pessoas mentem e falam que são saudáveis por questões de saúde. Mas a verdade é que ninguém com menos de 50 está ligando pra porra da saúde. “Todo mundo quer mesmo é afogar o ganso” (Freud).

E o mundo, meus caros, se resume a isso.

- Ah Sbaile, mas e eu que sou assexuado (a)?

Bom, nesse caso, você tem uma sorte do cacete, e eu te odeio por isso. Mas, encaremos os fatos, você é uma minoria.

Aí eu saio da minha aula de filosofia da arte, porque, assim como toda pessoa moderna que não tem muito talento pra porra nenhuma, eu resolvi ser artista. Já sou alcoólatra e ruim de lápis, então agora só me falta a esquizofrenia pra virar Jackson Pollock e encher o rabo de grana – porque ok, eu não faço sexo anal, mas gosto de dinheiro, então se for pra encher o rabo de alguma coisa…

Mas ah, então, eu saio da aula de filosofia e vou pra academia.

E, chegando na academia, eu tenho que encarar o meu maior inimigo de todos os tempos: o cara gostosão na frente do equipamento para abdominais.

O cara gostosão, caso vocês não saibam, é aquele cara de camisa regata, todo definido, que vive pelo corpo dele. Ele sabe tudo sobre todas as coisas que eu não sei: o gostosismo, e talvez a continha de dividir com vírgula.

É muito intimidador.

“Mas que cacete! Eu não vou pra maquininha de abdominais com esse cara lá do lado” – eu penso.

Só que… Eu tinha que ir, porque ainda estou na casa dos vinte e poucos anos, mas não por muito mais tempo. Daqui a pouco atinjo os trinta e aí meu metabolismo fica mais retardado do que já é.

“Eu aposto que ele não sabe quem foi Clive Bell. Eu vou lá e pronto. Pelo amor de Deus! Eu sei mais de 60 capitais mundiais e eu só não ganhei o Show do Milhão porque minha cartinha nunca foi escolhida! Eu sou foda! Eu vou lá!”- eu de novo, mentindo pra mim mesma, porque a verdade é que nunca mandei uma cartinha pro Show do Milhão.

Mas aí eu, como boa neurótica filósofa que sou, comecei a pensar sobre o que faz as pessoas serem bem sucedidas na vida. Lembrei de como o Rafinha Bastos fingiu que era engraçado e todo mundo acreditou, depois lembrei de como a Wanessa Camargo, que tem as iniciais W.C., conseguiu fingir que tinha que ser levada a sério. Aí lembrei da Daniella Cicarelli, que conseguiu tirar o youtube do ar porque fez sexo em uma praia com o namorado.

E foi então que eu me dei conta de que poucas pessoas que eu conheço realmente são alguma coisa. Todas as outras pessoas não-gostosas, não-inteligentes, não-talentosas, não-intelectuais, não-significantes só fingem que são alguma coisa.

E eu caminhei até aquele aparelho de abdominais com a minha maior cara de gostosa fingidora do mundo. Cheguei lá e…
… Descobri que não sabia usar aquilo.

- Você sabe usar esse aparelho? – o gostosão me pergunta.
- Não. E você, sabe o que Kant quis dizer com A Crítica do Julgamento?

E ainda bem que ele ficou quieto, porque eu nunca li Kant.

Era uma vez uma matilha. Uma matilha, caso você não saiba, é um grupo de cães liderado por um cão alfa, acompanhado por um cão beta.

O cão alfa, nesse caso, era um pastor alemão aposentado da polícia.

POODLE: Alfinha! Preciso falar com você, bofe!

ALFA: Fala, Poodle.

POODLE: Olha, é o Pinscher. Não dá mais. Ele tá impossível! Fez a lôca ontem, foi um horror!

ALFA: O que “fez a lôca” quer dizer?

POODLE: Ai, então, ele é todo chiliquentozinho, sabe? Ontem ficou mandando um monte de uivados indiretos pra mim.

ALFA: Uivados indiretos? Poodle, eu sou velho, já tô com sete anos. Você tem que usar uma linguagem mais adequada.

POODLE: É que eu sou gay.

ALFA: Eu sei, isso é da sua raça. Sua sexualidade não está em questão. Agora… brinks, fez a lôca, mandou um uivado indireto, bofe, choquei… Eu não conheço essa linguagem.

POODLE: Tá, tá. Já entendi. Então, o Pinscher decidiu que não quer mais falar comigo, mas fica mandando uivadinhos indiretos na madrugada, sabe? O último dele foi “Bitch raivosa que se acha importante”. Certeza que foi pra mim, porque eu ganhei o concurso Pedigree na semana passada.

ALFA: Olha… Ai, Deus! Você já falou sobre isso com o Beta? Porque, sinceramente, eu tenho que brigar por essa matilha, meus assuntos são quase militares, entende? Não posso ficar lidando com fofocas entre um Poodle com complexo de Lassie e um Pinscher demente.

POODLE: Então, eu ia falar com o…

ALFA: Para tudo! Perdigueiro, corre aqui! PERDIGUEIROOOO!
O Perdigueiro chega correndo.

PERDIGUEIRO: Sim senhor!

ALFA: Perdigueiro, acabei de ver um gato passando pelo muro. Quero ele morto, na minha casinha, até o final do dia. Sem desculpas!

PERDIGUEIRO: Sim senhor!

ALFA: Faz dois meses que esse desgraçado fica passeando por esse muro como se isso fosse normal. Acha que a casa da mãe Joana, esse puto! Ele vai ver só o que é bom pra tosse!

POODLE: Ai, como você é másculo, Alfinha!

ALFA: Poodle, se controle! Mas então, qual era o seu problema mesmo?

POODLE: Então, o Pinscher…

ALFA: Ah é, o Pinscher! Olha, espera tranquilo. Vou uivar pro Beta vir me ajudar a resolver esse problema de vocês.

E o cão beta era um Doberman cabreiro. Criado como cão de guarda em uma oficina mecânica.

BETA: Chamou, chefe?

ALFA: Então, o Poodle veio me procurar falando que o Pinscher tá de graça.

BETA: Ele tá mandando uivadas indiretas e tendo ataquinhos?

ALFA: Como você sabe?

BETA: Ah, porque ele é pinscher, né? Quer ser Doberman mas não tem bala na agulha. Nasceu pequeno, inseguro, criou complexo de cão grande pra compensar. Já não conhece o tipinho? Bully covarde.

ALFA: É, foi o que eu imaginei. Qual você acha que é o treino mais apropriado, hein?

BETA: Ah, deixa comigo, chefe…
Seis horas depois, a noite finalmente chegou no canil.

ALFA: Perdigueiro, cadê aquele gato que te pedi?

PERDIGUEIRO: Recebi ordens diretas do Beta para não encostar no gato.

ALFA: Quê? Como assim?

PERDIGUEIRO: Ele disse que a missão era do Pinscher. Achei estranho, porque todo mundo sabe que o Pinscher só late e nunca morde, que ele é só um coitado com…

ALFA: … Complexo de Doberman. Eu sei. Eu sei. Mas e aí, ele mordeu?

PERDIGUEIRO: Claro que não. Levou uma puta surra do gato.

ALFA: Hm. Sem mais perguntas. Dispensado.

PERDIGUEIRO: Sim senhor!

ALFA: Beta! Vem cá, meu filho!

BETA: Fala, chefe!

ALFA: Então o Pinscher levou uma surra do gato, hein? O que nós sabemos sobre esse gato?
BETA: É, o Pinscher tá todo fodido. Agora… Esse gato aí, aparentemente, é um espião israelense. Tá escrito Siamês na coleira dele, só que olhei no Google, e Sião é o nome antigo de Jerusalém. Mas acho que ele foi treinado por um ninja: tem a capacidade de pular quatro andares sem morrer. Coisa incrível esse gato!

ALFA: Meu Deus! Beta, me traz esse gato!

BETA: Vivo? Ou passo pro Perdigueiro e trago morto?

ALFA: Não! Vivo, pelo amor de Deus! Não posso matar esse gato agora que eu sei que ele é de Israel. Eu sou um pastor alemão! Eu vou pro tribunal de Haia se fizer isso, Beta!

BETA: Verdade. Não tinha pensado nisso.

ALFA: Faz o seguinte, demite o pinscher e contrata o gato.

Dois meses mais tarde. Na casinha do Alfa…

BETA: Chefe, preciso falar com você!

ALFA: É sobre o Setter Irlandês e o problema de alcoolismo dele? Porque olha…

BETA: Não, não. Descobri que o gato não é israelense coisa nenhuma. Ele é tailandês.

ALFA: Tailandês? De olho azul?

BETA: Pois é, também achei estranho, mas acho que é lente.

ALFA: Gato é foda. Não dá pra confiar mesmo. Você tem certeza que ele é tailandês?

BETA: Absoluta! Existiram dois lugares chamados Sião. Vi no Wikipédia.

ALFA: Beta, eu quero esse gato morto, na minha casinha, até o final do dia!

Você olhou esse título e automaticamente pensou que eu tive um lance de sadomasoquismo com um cara chamado Alê, né?

Na verdade, o Alê só assistiu ao meu lance de sadomasoquismo com um cara chamado Superman.

Tá, o nome dele não era Superman de verdade, mas vocês acham que o nome do Rob Gordon é Rob Gordon?

Eu não sei qual é o nome de verdade do Superman. Só sei que eu pisei nele de salto quinze, chamei de filho da puta, desgraçado e pederasta.

- Pederasta não! – Ele gritou.

- Pode tudo, menos pederasta?

- É, ou qualquer outra referência homossexual.

Porque o Superman era masoquista, sim. Mas gay, nunca.

“Mas que porra é essa, Sbaile? Do que você tá falando?” – você pensa.

Explico.

Quando eu tinha dezessete anos, além de nada na cabeça, eu também tinha vontade de ser cineasta. E aí o Alê, coordenador pedagógico da minha escola, montou um clube de cinema e liberou a gente para fazer documentários pela cidade.

- Sbaile, sobre o que vai ser seu documentário?

- Sadomasoquismo.

- Oi?

- Oi. Tudo bem, Alê?

- Sbaile, como é um documentário sobre sadomasoquismo?

- Então, eu não sei, mas deve ser muito louco. Você é psicólogo. Você sabe de alguma coisa?

- Sbaile, as outras meninas estão abordando temas tipo a qualidade do sistema de saúde público, cultura na cidade… E você me vem com sadomasoquismo?

- Ah, antes eu tinha pensado em travestis. Porque você veja bem, Alê, travestis são a tradução real mais próxima daquele livro do Kafka. Tirando tipo, sei lá, gente que tenta se transformar em iguanas. Uma vez eu vi um cara que queria ser uma iguana, mas não vi pessoalmente, vi na TV. Esse cara…

- Sbaile, aonde você vai conseguir material pra isso?

- Ah, já tenho tudo planejado. Vou num clube de sadomasoquismo amanhã.

- Quê? Seus pais sabem disso?

- Meu pai é alcoólatra e minha mãe se converteu ao espiritismo e agora acha que eu estou possuída por um exu. -Você acha mesmo que eles estão ligando? Qualquer coisa, é só falar que meu exu é sádico e pronto. Certeza que ela acredita.

- Você vai numa casa de sadomasoquismo? Como? Que lugar é esse? Com quem?

- Vou. De metrô. É um lugar aí que achei na internet. Sozinha.

- Eu vou com você.

- Ah não, Alê!

- Se eu não for, não aprovo isso. Você nem pode ir nesse lugar. Eles sabem que você é menor?

- Claro que não, né? E se você for, você vai ter que mentir comigo.

E não é que ele foi e mentiu? Achei estranho. Por que ele não me impediu de ir?

Hum.

Chegando no lugar, vimos jaulas, uma cacetada de filmes de fetiche e um monte de gente bem vestida. O dono do lugar ficou tão emocionado que nós estivéssemos lá que nos deu um monte de cerveja.

Aí ficamos lá filmando, bebendo e fazendo entrevistas.

Eis que se não quando, me aparece um cara vestido de Superman, só que com uma máscara de couro.

- Oi. Quem é você? – Aquele ser me pergunta.

- Eu tô filmando o lugar, meu nome é Carolina. Você quer dar uma entrevista?

- Pisa em mim, Carolina.

- Oi?

- Pisa em mim. Por favor. Pisa em mim.

- Não, não. Eu só tô aqui pra fazer um docu…

- Quanto você quer? Eu pago!

- Cinquenta reais.

(Parem de me julgar, que além de judia eu era pobre).

Alê e eu, altamente profissionais: uma adolescente bêbada com seu coordenador pedagógico, entre algemas, chicotes e meia luz. E agora eu estava me prostituindo, pisando em um cara vestido de Superman com uma máscara de couro…

… E tudo isso em vídeo.

- Sbaile! Você tá é louca! – O Alê, indignado.

- Ignora ele, Carolina! Pisa na minha cara! – O Superman gritava.

- Na cara, bicho? Não, vou matar você se fizer isso. – Eu respondi.

- Pisa na cara que ele aguenta. Ele é o Superman! – Alguém berra de algum lugar.

- E aí, Alê? Devo pisar na cara dele? Você tá filmando?

- Tô filmando.

-Você acha que ele aguenta ser pisado na cara? E se eu desfiguro esse homem, Alê?

- Pisa logo na cara desse filho da puta, Sbaile!

- Tá bom.

Pisei. Depois bati em mais um três caras e, finalmente, alguém decidiu que minha meia deveria ser leiloada. Vendi por cem reais. Saí do clube bêbada, com toda raiva do mundo descontada, sem meias e 150 reais mais rica do que entrei.

Praticamente um Bat Mitzvah do submundo.

(Nota aleatória ao leitor: eu não estou inventando nada disso).

Entrei no carro do Alê.

- Me passa a fita aí, Alê.

Silêncio.

- Alê? Me passa a fita. Tenho que devolver a câmera amanhã.

- Sbaile do céu…

- Você também tá bêbado, né?

- Um pouco, mas o que eu queria falar é que… Essa noite foi demais!

- Tome tento, Alexandre! Eu que sou a adolescente aqui! Vai, me leva pra casa que eu ainda preciso editar isso.

Ele deu uma risadinha e começou a dirigir.

No dia seguinte, eu devolvi a câmera e editei o filminho. Nunca mais voltei naquele lugar, apesar de pensar que pudesse ficar rica se me tornasse frequentadora.

Já o Alê…

… Esse não perde mais uma sexta à noite no clube de S&M.

E eu achando que ele tinha ido comigo pra me proteger. Ingenuidade adolescente.

Já faz uns dias que eu bati na mesa, assim como um caminhoneiro bêbado que acaba de ganhar um jogo de truco, e gritei divóóórciooooo!

Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele. E nós ficamos lá, né? Dois idiotas. Dei aquele grito libertador de She-Ra, mas a verdade é não fiz porra nenhuma desde então – porque eu sou pobre e ainda preciso pensar em uma maneira de tirar o máximo de dinheiro que conseguir dessa relação, sem que nenhum de nós precise se prostituir.

O resumo é: nós somos dois seres humanos tão insuportáveis que um já não aguenta mais o outro.

E aliás, pra você que não sabe, casamento é isso: você não suporta seus próprios defeitos, então você arruma um pobre coitado qualquer que ature esses defeitos por você. Em troca disso, você aguenta os defeitos dele.

O segredo aqui é trocar os seus defeitos por defeitos menores.

Por exemplo, eu sou altamente depressiva. Troco depressão por um cara que seja bagunceiro, porque já que eu sou depressiva mesmo, quem liga se a casa estiver uma zona? Eu não ligo, contanto que ele não ligue pra crises histéricas.

Agora, um cara com problemas de, vamos dizer, alcoolismo. Talvez seja bom se ele encontrar uma mulher infiel. Enquanto ele bebe noite a fora, ela sai com algum cara que ainda esteja sóbrio pra fazer sexo.

Os defeitos têm que se encaixar. Sacaram? Isso, meus caros, é o sagrado matrimônio.

-Ai Sbaile, sua tosca! Você só fala isso porque o seu casamento não deu certo, e agora você é um ser humano amargo que morre de inveja de casais felizes.

Sim. Isso é totalmente verdade. E por falar nisso, você, meu amigo, minha amiga, você que se encontra em um início de relacionamento feliz, você que acredita no amor depois da primeira conta conjunta, você que é casado há vinte anos e ainda tem vida sexual ativa…

… O mundo te odeia. Tenha consciência disso.

Mas apesar de eu ser depressiva, amarga, neurótica, insuportável e invejosa, eu ainda tenho a capacidade de amar. Sim, me resta isso.

Eu vivi uma das histórias de amor mais legais do mundo. Mas não, não, não… Não dessas que vocês estão pensando.

Quando eu era bem pequenininha, minha mãe me falava que eu era o maior empecilho da vida dela (ela é uma linda!). E meu pai, por sua vez, resmungava alguma coisa sobre a performance do Raí na seleção.

Mas aí eu conheci minha avó Zeni.

Minha avó Zeni não me falava nada que não fosse mágico ou fantástico. Ela me deu um livro do Pequeno Príncipe depois assistir ao meu protesto, aos oito anos, quanto a Meu Pé de Laranja Lima.

- Não gosto de ler, odeio livros e odeio árvores!

- Meu Pé de Laranja Lima é um saco mesmo, Carol. Toma. Leia esse aqui. Esse é legal.

E em poucos dias, ela era o Pequeno Príncipe e eu era a Raposa.

- Vai, vó. Lê a sua fala. Você é o Pequeno Príncipe.

- De novo?

- Só mais uma vez. Só mais uma!

E do dia em que eu a conheci em diante, éramos assim com tudo. Ela era o John Lennon, eu o Paul McCartney. Ela era o Romeu, eu o Mercúcio. Ela era o Capitão Kirk, e eu o Spock.

E eu nem sabia que aquilo era amor. Na verdade, eu acho que nem tinha entendido sobre os diálogos da Raposa e do Pequeno Príncipe até que eu recebi uma ligação dizendo que minha avó estava morrendo.

Cheguei na casa dela depois de doze horas de voo. Ela não chorou, nem eu. Coloquei minha cabeça no colo dela e comecei a conversar:

- Lembra quando de quando você me levou pra ver a exposição do Monet?

- Lembro. Você ficou fascinada, quis pintar depois disso, sujou a casa toda, foi um horror.

- Haha! É verdade. Eu lembro disso. Lembra quando eu fazia você ler todas as falas do Pequeno Príncipe?

- Lembro. E você vê? Agora eu sou o Pequeno Príncipe de verdade. E você vai ter que ser a raposa.

- Como assim?

- Porque agora eu vou embora. E você vai ter que ficar.

E foi então que eu desabei em choro. Mas ela não.

- Vó, eu queria que você ficasse comigo pra sempre.

- Ah, eu vou ficar. – ela respondeu, apontando pra minha cabeça.

E ali, aos vinte e dois anos, eu tinha descoberto o que era o amor. Não amizade. Amor. Minha amiga estava indo embora, mas o amor continuaria ali pra sempre. O amor que que não julga, nem se entristece, nem é egoísta ao ponto de sentir saudades. O amor que se basta. Aquele descrito por Thomas Mann, porque afinal “É amor, não a razão, que é mais forte que a morte”.

E assim, minha melhor amiga morreu. E eu fiquei.

Logo depois de pedir o divórcio, eu caí em mim e abracei meu marido. Ele chorou, eu não.

- Mike, você vai ter que ser forte, tá? Porque eu vou embora, e você vai ficar.

- Eu planejei passar a vida toda com você.

- Ah, mas eu vou sempre vou fazer parte da sua vida. Eu amo você. A gente vai sobreviver.

- Eu sei. Eu sei. Eu também amo você.

E hoje ninguém me tira da cabeça que isso, e não um casal feliz numa gôndola em Veneza, é a definição real do amor.

Agora…

… Casamento continua sendo só uma troca de defeitos entre duas pessoas frustradas.

PS – Lembrei de uma coisa: você que é preconceituoso e homofóbico, aqui vai uma dica: lute pela liberação do casamento gay. Acredite, é a maior arma contra sexo gay.

No dia 3 de julho de 2010, aconteciam as quartas de final da copa do mundo.
Alemanha contra Argentina.

Nesta mesma data, Karl Marx, Che Guevara, Vladimir (Vlad) Lenin e Sigmund (Siggy) Freud dividiam um apartamento no lugar mais comunista do universo: o céu.

Esta é a história totalmente verídica do que aconteceu durante o jogo.

Karl Marx: Vai, Klose! Vai, Klose! Vai, Klose! Vai, vai, vai! Ui! Quase, hein! Quase!

Che Guevara: Quem colocou o Maradona pra ser técnico, hein? De quem foi essa ideia brilhante? Que desgraça…

Karl Marx: GOOOOOL! Puta que o pariu! Gol da Alemanha! Lenin, me traz uma cerveja, meu amor!

Vlad Lenin: Mas gol? Já? Putz! É hoje que a Argentina toma uma surra…

Che Guevara: O Siggy ainda tá no banheiro?

Karl Marx: Siggy! Alemanha já enfiou um gol na Argentina. Você não quer vir ver o jogo, não?

Sigmund (Siggy) Freud grita do banheiro:

Siggy Freud: Ah é? Foi gol do Beckenbauer?

Che olha pra Marx, que olha pra Che, que rapidamente olha pra Lenin, que entrega a cerveja da comemoração a Marx e fala:

Vlad Lenin: Bicho, o Freud só tá piorando. Esse Alzheimer dele, ó… Sei não, hein!

Che Guevara: Ah, ele anda super esquisito ultimamente. Já faz três horas que ele tá trancado no banheiro com as fotos da mãe dele…

Karl Marx: Ah não! É isso que ele fica fazendo no banheiro?

Vlad Lenin: Você não sabia?

Karl Marx: Vou fingir que nunca descobri.

Che Guevara: Mas é sério. A gente precisa tirar o Freud daqui. Porra, quatro caras no apê, um banheiro, e o Siggy fica lá o dia todo se mastur…

Karl Marx: Pelo amor de Deus! Não termina essa frase! Eu tô velho pra isso.

Vlad Lenin: É, tem essa do banheiro, mas também tem o fato de que ele cheira cocaína que nem louco e depois não deixa ninguém dormir à noite.

Karl Marx: Aliás, de onde ele consegue cocaína, hein?

Vlad Lenin: De quem? É claro que é do Che! O único latino desgraçado nesse apartamento. Portenho maldito.

Che Guevara: É, mas eu só dou um pouco de coca pro Siggy. E nem vem que não tem, Vlad! Isso nem afeta mais o cara. Ele tá é demente mesmo. SIGGY! SAI DO BANHEIRO! JÁ DEU, NÉ?

Siggy Freud: Me deixa em paz com a minha cocaína! Você pensa que eu não sei que esse seu charuto de merda é parte dos seus desejos inconscientes pela pica do Fidel? Você é reprimido, Che! Você precisa ir ver isso!

Karl Marx: Mas ele tá impossível, hein? Que horror! Eu vou ali mijar na planta e já volto.

Vlad Lenin: Aliás, por que cargas d’água ele veio parar com a gente, hein? Esse era pra ser o apê dos comunistas. Ele é comunista por acaso?

Che Guevara: Ele tava no sanatório, mas aí o Jung virou diretor lá e o pau comeu entre os dois.

Siggy Freud (ainda no banheiro): Não pronunciem o nome desse Judas em minha presença! Quero que ele morra! Morra!

Vlad Lenin: Mas ele já está morto, Siggy. Siggy, me escuta. Todos nós já morremos e agora…

Che Guevara: Por que você ainda tenta, Vlad? Não adianta.

Karl Marx: Para tudo! Pensei num treco!

Che Guevara: Que foi?

Karl Marx: Ok. Vamos lá. Toc, toc! Fala “Quem é?”, Che!

Che Guevara: Quê?

Karl Marx: Fala logo!

Che Guevara: Tá. Quem é?

Karl Marx: Lionel Messi! Acabou de ser assassinado pelo time alemão. HA! HA! HA!

Che Guevara: Nossa! Que lixo de piada, Marx!

Vlad Lenin: Ha, ha, ha! Eu ri.

Karl Marx: Desculpa, não resisti. Mas então, falando sério agora, e se a gente for falar com Deus, hein? E se a gente trocar o Freud por, sei lá, um outro comunista?

Che Guevara: Que outro? Não tem outro. Eles estão todos no inferno. Só sobrou a gente aqui.

Karl Marx: Sei lá, um niilista, um capitalista, o Ronald Reagan, qualquer merda. Eu não tô mais ligando, não.

Vlad Lenin: É verdade. Já não faz mais diferença. Semana passada mesmo, eu recebi minha carta de reencarnação. Neguei. Não quero ir, não.

Che Guevara: Sério? Por que não?

Vlad Lenin: Olha pra Terra. Olha bem pros capitalistas. Eles distorceram tudo, do mesmo jeito que os comunistas distorceram tudo…

Che Guevara: Péra lá!

Karl Marx: O que o Vlad tá falando é que a Terra continua com a onda de proibições. Leis imorais, sexistas, anti-abortos, anti-fumo, anti-casamento gay, anti-bêbados. Qual é a diferença de hoje e de cinquenta ou sessenta anos atrás quando negros não tinham direitos civis? Eles só trocam de minoria. Agora é fumantes, mulheres, gays e pobres.

Vlad Lenin: E a população continua apoiando essas coisas. E o mundo segue com esse fascismo camuflado desde a época de Galileu. A gente tá melhor aqui mesmo.

Che Guevara: Vocês estão falando que pelo menos aqui a gente só tem o problema do Siggy trancado no banheiro?

Karl Marx: Ah, e nem é tão ruim assim. Eu não faço a barba desde 1840 mesmo, e agora mijo ali na planta e pronto. Só preciso do banheiro uma vez por dia.

Vlad Lenin: Putz! Gol!

Karl Marx: GOOOOOOOOL! É Deutschland na semifinal, mother fuckers! Deutschland uber alles! Viva com isso, Che!

Che Guevara: Você tem idéia do quão assustador é ouvir você sendo patriota em alemão?

Karl Marx: Ah vá! Me converti ao luteranismo mas nasci judeu. Para de ser todo politicamente correto, Che. E ah! Liga pro Dalí, convida ele pra vir ver a semifinal aqui em casa. Aproveita que ele é o único que ainda acha que o Siggy serve pra alguma coisa, vê se ele consegue tirar o Siggy do banheiro…

Vlad Lenin: Olha… que essa não é uma má ideia, hein?

Che Guevara: Duvido vocês passarem pela Espanha.

Karl Marx: Isso nós veremos, mi compañero. Isso nós veremos… Agora vai lá e pega mais uma cerveja pro tio aqui, vai.

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