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SOU MEIO ISSO, MEIO AQUILO. Acho que sou meio tudo. Meio de direita, meio de esquerda. Meio infeliz, meio satisfeito. Meio bofe, meio gay. Até meio feminino.

Sou o caminho do meio, a meio caminho do fim.

ENTRE EXTREMOS, SOU O MEIO. Meio puta, meio santa. Meio careta, meio maluco. Meio certo, meio errado. Meio a fim de me salvar do meio de mim que está sempre meio a fim de me abandonar.

Sou meio porque receio os meios que justificam os fins.

Assim, meio de bobeira, tento fazer de mim um MEIO DE EXPRESSÃO.

Meio yin, meio yang. Meio com a razão, meio com o coração. Nesse meio tempo que ainda me resta para encontrar um meio de conciliação.

MEIO, NUNCA INTEIRO.

Quem se diz inteiro é meio déspota. Ou déspota por inteiro. Nunca aceita o meio termo. Nem quando lhe falta a razão.

Sou meio isso, meio aquilo. Acho que sou meio tudo. Afinal, sou humano. E A ESSÊNCIA DO SER HUMANO É SER CONTRADIÇÃO.

temos medo, muito medo, da morte. Mas tememos ainda mais a vida. Ah, essa merda de vida… “Viver é perigoso, seu moço!”, avisa o jagunço Riobaldo em “Grande Sertão Veredas”. Por isso, para escapar do perigo, recorremos ao queijo branco, à vidente, ao pilates, à cabala light da Madonna, ao ansiolítico, às cercas elétricas, ao Dr. Hollywood, ao brócolis.

queremos, enfim, viver “em segurança”.

ora, não há como blindar a vida, seu moço. Quer segurança? Estoure os miolos com um balaço de espingarda ou se jogue do décimo andar de um prédio e “descanse em paz”.

afinal, só os mortos não correm riscos. Seres em movimento, com contas para pagar, filhos para criar e uma existência inteira para suportar, estão sempre sujeitos ao imponderável. “Vai que…”

esse desejo contemporâneo de viver mais e melhor, com “saúde total” e “alma lavada”, não combina com a nossa vontade louca de simplesmente viver. Jimi Hendrix e Janis Joplin viveram apenas 27 anos. Mas, acredito eu, devem ter vivido intensamente. Não tentaram “enganar” a vida com Light Shake.

como você, temo o câncer, temo a bala perdida, temo a fralda geriátrica, temo a morte. Minha grande dúvida é: será que vale a pena “pisar no freio”, abrir mão das coisas gostosas e arriscadas e viver 100 anos?

e se lá na frente eu descobrir que, para escapar do perigo, eu parei de viver aos 20?

da série Encanações Absurdas:

leitor: Meu pênis é bem mais escuro do que o resto da minha pele. Preciso passar algum creme para clareá-lo?

médico: Desde a puberdade os hormônios masculinos determinam um escurecimento normal da pele do pênis e do escroto, sem que isso signifique qualquer problema. Não encane com isso – essa coloração mais escura é totalmente normal. E não existe creme para clarear essa parte do corpo.

outra:

leitor: Eu já tinha reparado que a pele do meu pênis é bem mais escura do que o resto do corpo, mas minha namorada, não. Agora ela viu e diz que é feio e que preciso dar um jeito. Ela trabalha em um salão de beleza. Quero que ela fique satisfeita. Existe creme para clarear essa região?”

médica: Desculpe, leitor, mas sua namorada passou de todos os limites na tentativa de expandir suas atividades de “embelezadora profissional”. Diga não. Que ela pare com essas loucuras já. A cor da pele do órgão sexual não se muda assim, como se fosse uma axila escurecida [...]

não resisti. Dei uma espiada no “pintinho amarelo”. É verdade: a pele do pau é mais escura se comparada ao restante do corpo.

já escrevi aqui sobre um tal “clareamento anal”. Agora, descubro que há meninos (e meninas) preocupados com o escurecimento natural da pele do pênis. Opa! Deu a louca no mundo? Ou sou eu que estou por fora dos últimos acontecimentos?

logo, a indústria da beleza deve inventar algum creme “milagroso” – quem sabe à base de uma planta exótica do Sri Lanka – para resolver mais esse “problema” estético. Se há demanda, por que não esperar sempre pelo pior?

vivemos uma época de crescente negação do próprio corpo. De repente, o que é apenas natural torna-se feio, necessita ser reformulado, recauchutado, photoshopado.

é preciso “dar um jeito”, mandou a namorada do rapaz – a “embelezadora profissional”. Dar um jeito? Como assim? Por acaso, somos porta emperrada? Mesa manca? Chuveiro pifado?

Seneca, o escritor romano, responde: “A deformidade do corpo não afeia uma bela alma, mas a formosura da alma se reflete no corpo.”

e olha que nem estou falando de deformidades físicas. Mas da piração em que se transformou esse culto ao “corpo perfeito”.

Andy Warhol:

às vezes, as pessoas deixam o mesmo problema infernizar a vida delas por anos quando poderiam simplesmente dizer: “E daí?”. Essa é uma das coisas que eu mais gosto de dizer: “E daí?”

“minha mãe não me amava.” E daí?
“meu marido não trepa comigo.” E daí?
“eu sou um sucesso mas continuo sozinho.” E daí?

**********

assim como o Andy Warhol, eu também gosto de dizer “E daí?”. Gosto de dizer, mas nem sempre consigo.

é necessário muito treinamento diário para dizer: “E daí?”

dizer “E daí?” é o mesmo que “deixar pra lá”. E “deixar pra lá” exige desprendimento; a independência de um curto & grosso: “Dane-se!”

“levei um pé na bunda.” Dane-se!
“fui demitido.” Dane-se!
“a humanidade não vai muito com a minha cara.” Dane-se!

não é fácil, por exemplo, escapar do hype – dizer “E daí?” para o iPad, para o iPhone, para o iQue Coisa Mais Legal Estar Na Moda!

duvida? Escolha aí o sujeito mais inteligente que você conhece e o coloque entre dois mil applemaníacos descontrolados. O sujeito que se mete no meio de dois mil idiotas certamente será um deles.

dizer “E daí?” é o mais contundente manifesto de liberdade que existe. Quem diz “E daí?” com sinceridade anda com as próprias pernas.

mas aviso: o “E daí?” tem o seu lado amargo.

acesse a internet, leia as notícias. “É estupidez grassando do Oiapoque ao Chuí e também lá longe nos confins do lá e do daqui”, observou certa vez Hilda Hilst.

e diante desse cenário de fim do mundo – ou não é o fim do mundo ninguém ter sido indiciado no caso da menina morta pelo jet ski? – dizer “E daí?” pode ter outro significado, nada nobre. Pode significar apenas omissão.

é isso. Há momentos em que dizemos “E daí?” para nos libertar; e outros, para nos omitir.

enquanto a conversa se desenrolava alegremente na sala, eu, sentado diante do último pedaço de bolo que sobrara no prato, não conseguia me concentrar no papo.

era um pedaço de bolo gordo, negro, macio, apetitoso. Eu tentava me desvencilhar da sedutora guloseima. Olhava para o teto, para algum ponto neutro da sala; procurava pensar em algo insólito: na Sandy fazendo sexo anal.

em vão. De nada adiantava. O pedaço de bolo continuava ali, chamando a minha atenção, salivando a minha boca, pedindo para ser devorado: “me come! me come! me come!”

inquieto, comecei a suar frio. A vontade de me lambuzar todo com aquele último pedaço de bolo era tanta que eu sentia o meu estômago estrondear. As mãos tensas, agarradas uma na outra, contorciam-se. Eu quase babava. Resolvi, então, quebrar o protocolo e me servir do último pedaço de bolo.

fodam-se os bons modos!

aliviado com a minha decisão, me ajeitei no sofá e, quando me preparava para pegar o pedaço de bolo da maneira mais natural possível, sem ser notado pelos outros, o desgraçado do moleque foi mais ágil. Surgiu de repente na sala, catou o pedaço de bolo sem nenhuma cerimônia e o enfiou quase inteiro em sua boca enorme, gulosa, miserável e cheia de dentes.

pensei que fosse enfartar. Fui dominado por um ódio profundo e, por pouco, não corri atrás do moleque para reaver o meu pedaço de bolo roubado.

fui embora me sentindo o pior dos seres humanos. Duas vezes culpado: por ainda salivar por aquele pedaço de bolo e por ter amaldiçoado o moleque filho da puta.

ai, ai… quem foi o imbecil que inventou que é feio comer o último pedaço de bolo que sobra no prato? Quando não é Deus a proibir o nosso gozo, somos nós a inventar regras de etiqueta que só fazem a gente passar vontade.

ostentar uma natural barriga é ato de contestação. É resistir ao cerco implacável dos magros. É combater o ódio daqueles que querem exterminar a coitada da barriga custe o que custar.

quer provocar? Use barriga. Quer causar? Abuse da barriga. Quer escandalizar? Deixe a barriga bem à mostra.

adriane Galisteu, uma vez aí, diminuiu ainda mais o volume da sua barriga com 400 disparos de laser. Veja só: a barriga é metralhada sem chance alguma de se defender e ninguém protesta. Ao contrário: aplaude, inveja, aperta o gatilho.

xico Sá, o jornalista, tem razão: “Chegar aos 50 sem barriga é atestado de péssima biografia”. Em outras palavras: quem passa a vida evitando o bacon para evitar a barriga não vive, vegeta como pé de alface.

universo em expansão, a barriga não quer implodir em abdominais. Quer existir. Quer folgar no sofá. Quer andar por aí sem medo de ser barriga e sem ser atacada pelos olhares de reprovação dos neonazistas da “saúde total” e do “corpo perfeito”.

acho que os homens deviam se orgulhar de suas barrigas. A barriga é a prova mais visível da “macheza” de não se acovardar diante dos avisos de perigo e, principalmente, da patrulha autoritária dos “embelezadores” do mundo.

em tempos de barriga “tanquinho” e corpos anabolizados, quem tem barriga de chope – e não a esconde – já pode se sentir o novo punk.

fiz a Primeira Comunhão. Aprendi a rezar o Pai Nosso, a Ave Maria e outras orações. Frequentava as missas de domingo.

com esse histórico, eu podia ter me tornado um religioso. Podia…

a verdade, no entanto, é que, desde criança, essa conversa de que Deus criou o mundo em seis dias e, no sétimo, foi pra Miami fazer compras e descansar sempre me pareceu fantasiosa demais. E, em nenhum momento da minha adolescência, encarei punhetas e desobediências como pecado. Ou seja: nunca temi o tal “castigo divino” nem procurei pelo “perdão de Deus”.

ao descobrir a homossexualidade, sabia que, se eu fosse “desmascarado”, seria sacaneado pelos outros garotos e, possivelmente, reprimido pelos meus pais. Por isso, fiquei um bom tempo quieto no meu canto. Mas jamais me achei “doente”, “anormal” ou “pecador” por sentir atração por outros meninos.

ao me calar, apenas procurava me proteger da reação sempre violenta e histérica da sociedade contra quem “foge à regra”. Meu silêncio nada tinha a ver com Deus.

e é isso o que mais me exaspera hoje.

nunca dei bola pra Deus, nunca pedi “ajuda divina” para definir a minha sexualidade. Agora, esses crentes com espírito de porco ficam usando o nome de Deus para se meter na minha vida, para me achincalhar, para me chamar de “pecador”. Querem que eu me converta, que eu vire um “ex-gay”.

ora, eu respeito a liberdade religiosa de cada um. Se o sujeito acha que pagando dízimo tem entrada garantida no Reino dos Céus, ok. Mas que tal deixar em paz aqueles que preferem ir para o quinto do infernos?

não dizem que Deus deu ao homem o livre-arbítrio? Pois bem. Cada um tem seu pinto e cada um faz o que bem entender com o seu pinto, desde que não saia violentando indefesos por aí.

e os incomodados – religiosos ou não – que se afoguem no vaso sanitário mais próximo!

que dia é hoje?

segunda, 7 de novembro, informa o calendário na minha frente.

putz, faltam menos de dois meses pra terminar 2011! E eu aqui, desta vez sem grana pra fugir da invasão bárbara dos natalinos, em dezembro; dos veranistas, em janeiro; e dos foliões, em fevereiro.

no ano passado, enquanto as “famílias felizes” confraternizavam e fatiavam o seu peru com laranja, eu estava dentro da classe econômica de um avião com destino ao Japão.

queria ter voltado só depois do “bumbum paticumbum prugurundum” das cuícas & tamborins, mas o dinheiro acabou e eu tive que retornar no meio de janeiro.

na TV, os comerciais e reportagens de Natal já começaram. É época de “perdoar”, ficar “bonzinho” e se preocupar com o seu semelhante. E pouco importa se você foi um tremendo de um filho da puta durante o ano. Basta abrir o seu coração para o “espírito de Natal” e doar um brinquedo usado e quebrado para uma criança pobre. Pronto. Papai Noel sorri: ho-ho-ho-ho-ho. E você, com a consciência tranquila, pode juntar cachorro, gato e galinha frita e se mandar para a praia mais próxima.

sim, depois do teatro da bondade natalina, movido a luzinhas chinesas nas janelas, “amor ao próximo” e hiperconsumo, vem as viagens para o litoral. Afinal, é verão. E verão, com a sua gente desnuda, barulhenta e “morta de fome”, não polui apenas as praias. Polui todo o ambiente visual e sonoro que nos cerca. No verão, a alegria flatulenta do brasileiro se espalha pelas ruas. As pessoas se expõem mais, bebem mais, falam mais alto, riem com estardalhaço e se sentem mais à vontade pra infernizar os vizinhos com seu axé music:

- ae, ae, ae… oh oh oh oh oh oh oh oh oh…

ok, pulou sete ondinhas, comeu lentilhas, bebeu caipirinha, chupou picolé de limão, fez xixi no mar, pegou micose, venceu bravamente aquele congestionamento monstro na estrada e voltou pra casa. É momento de sossegar a periquita e recarregar as energias pro Carnaval.

sim, ainda tem o Carnaval pra fechar com mais samba, mais suor, mais cerveja e mais xixi o período mais demoníaco do ano. São nesses três meses que vêm aí – dezembro, janeiro e fevereiro – que o Brasil é mais Brasil e o calor escancara de vez a nossa personalidade de trio elétrico.

pensando bem, quem consegue ser civilizado com o termômetro marcando mais de 30o C?

sei que é difícil de acreditar, mas atenção: num dia qualquer entre hoje e os próximos anos – 1, 10, 50? – você vai morrer. Eu também: ploft! A morte está por aí, à espreita, e costuma aparecer sem aviso prévio, sem ser convidada para o jantar. Bisbilhoteira, mete-se na nossa vida sem se importar se estamos preparados ou não para partir.

às vezes, a morte é bem sacana, surpreende em situações embaraçosas. Morrer durante o banho, por exemplo, é constrangedor. Nu, ensaboado e morto: ninguém merece esse vexatório grand finale. Mas há ocasião ainda pior: morrer durante o sexo. Nu, de pau duro e morto: porra, senhora morte, esperasse pelo menos o sujeito gozar!

assim é. Um dia acabamos. Mas o apego exagerado à vida nos faz acreditar que podemos enganar a morte com alface orgânica, caminhadas no parque, pilates e cirurgias plásticas. Ora, ora, ora, quanta ingenuidade! A morte é esperta. Se você para de fumar com o objetivo de evitar o câncer, a desgraçada logo arranja uma bala perdida especialmente para você ou um bêbado de Porsche para te atropelar na próxima esquina.

no ciclo natural da vida, a morte prefere rondar os mais velhos. E é esse o motivo que nos leva a fazer o diabo para esconder rugas, flacidez, impotência. Ser/parecer velho é roubada. A morte nos vigia.

e foi desse temor de envelhecer/morrer que surgiu a ilusória e enfadonha sociedade da saúde total. Ou seja, mais do que presidentes e chefes de Estado, são médicos, nutricionistas, cirurgiões plásticos, astrólogos e personal trainers que comandam as nossas vidas. Beba isso! Não coma aquilo! Faça exercícios! Emagreça! Cuidado com a lua fora de curso! Evite açúcar! Que tal um botox rejuvenescedor? Pense positivo!

enquanto julgamos se vale mais a pena viver a vida adoidado, sem medo de ser feliz, ou pisar no freio e começar a contar calorias, a morte, sentada ao nosso lado com um sorriso sem-vergonha no canto da boca, aguarda pacientemente a nossa hora. Ela sabe que, no final, sempre vence. E todos vamos parar em uma cova escura e silenciosa.

oh, dúvida cruel: ir ao médico ou ir para a puta que o pariu?

os norte-americanos Nicole Kennedy e K.S. Rives tiveram uma ideia bastante simples. Usando uma câmera Polaroid, os dois saíram pelos Estados Unidos fotografando anônimos e pedindo a esses anônimos que escrevessem na própria imagem o que eles desejavam fazer antes de morrer. Dessa iniciativa, surgiu o projeto Before I Die I Want To…

dei uma olhada nas fotos. Mas me interessei mais pelos desejos das pessoas. Desejos, em sua maioria, que apenas confirmam a pequenez da vida de tão acanhados, realizáveis, sem graça.

repare: ir a Paris, correr uma maratona, comprar uma casa para a mãe, ter filhos, pagar as dívidas da família, conhecer o Eminem, fazer sexo em lugar público, aprender um novo idioma – e por aí vai. Sim, há desejos maiores: viajar pelo mundo (um hit) ou viajar ao espaço (outro hit). E há também aquele desejo de quem, no fundo, parece não ter desejo nenhum: ser feliz.

vale a pergunta: por que a grande maioria de nós deseja de maneira tão tímida? Será o medo do fracasso? O medo de jamais realizar o grande desejo da nossa vida? Talvez sim.

é sempre mais cômodo desejar aquilo que está mais próximo de nós ou que podemos substituir por outra coisa. Se não deu pra ir a Paris, vai-se ali em Praia Grande mesmo. Se não deu pra conhecer o Eminem, serve o Emicida. Desejar pouco acho que é modo de a gente se prevenir do baque.

eu, por exemplo, sempre desejei somente aquilo que podia enxergar, que eu era capaz de manter sob controle. Nada de dar a volta ao mundo num veleiro ou descobrir a cura da AIDS ou fazer parte de uma missão de paz na Somália. Para realizar esses desejos, paga-se um preço alto demais. É preciso levar uma vida de total integridade, sem concessões a coisa alguma. E fala aí: quantos estamos dispostos a abrir mão dos pequenos prazeres imediatos para se dedicar inteiramente a um único e grande desejo?

depois de reunir centenas de instantâneos de pessoas de várias partes dos Estados Unidos, Nicole Kennedy e K.S. Rives viajaram à Índia, em 2009, onde repetiram a pergunta para o povo de lá. Descobriram que a capacidade de sonhar está intimamente ligada às condições de vida de cada indivíduo.

os indianos – ao contrário dos bem nutridos americanos – tiveram dificuldade de apontar o que desejavam fazer antes de morrer. É aquela história: para quem luta pelo pão de cada dia deve ser complicado encontrar tempo para desejar, projetar o futuro.

de qualquer forma, acho triste quando podemos desejar, e desejamos pouco. É como se a gente desistisse do jogo antes mesmo de o jogo começar. Eu já desisti. Se eu sair por aí desejando “mudar o mundo”, quem vai pagar as minhas contas?

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