Olha, antes de qualquer coisa, preciso deixar claro que nada do que eu vou dizer aqui é inspirado em alguém específico. Isso aqui é só um mashup de uma montanha de histórias que ouço todos os dias de amigas, conhecidas, amigas de amigas, amigas de amigas de amigas.
Não, querido, este texto não é sobre você. Sinto.
Só pra ilustrar, vamos voltar pro inicio dos anos 90. Quando eu tinha meus 13, 14 anos. Mesma idade do Fábio – o menino mais lindo do mundo! da minha rua.
Eu era a melhor amiga do irmão desse muso e um dia resolvi comentar que o achava bonito. Vejam bem: bonito, só. Pronto. Foi o que bastou pro comentário chegar aos ouvidos do tal do Fábio e para ele não falar mais comigo e começar a desfilar na minha frente com tooooodas as meninas do bairro.
Corta para: dias atuais, todas as mulheres do mundo, de qualquer idade.
Você, linda e adulta, com certeza já passou por algo parecido: no final de semana, bebeu um pouquinho a mais e acordou na cama de um colega de trabalho. Segunda-feira, já na fiRma, este mesmo moço, que sempre almoçou descompromissadamente no mesmo grupo que você, resolveu comer sozinho. Você o chama no Messenger, nada de mais, como sempre fez, e ele te trata como se estivesse recebendo a declaração de amor mais descabida. Todo tenso.
Ou:
Um belo dia, a carência pega você e um amigo de longa data e vocês acabam a noite juntos. No dia seguinte, cadê aquela amizade tão linda? Moço não sabe mais o que fazer com você. E um simples convite pra uma festa no próximo final de semana mais se parece um pedido de casamento a partir de então. Climão define.
Desculpa, gato. Eu não te amo.
Deixa a tia explicar uma coisinha pra você. Não leve tão a sério esse papo de “Mulheres não sabem separar sexo de amor”. Não superestime minha carência, nem meu romantismo, muito menos minha inteligência. Entenda: existem amores e amores. Sexos e sexos. E, principalmente, circunstancias e circunstancias. Tudo depende de um mínimo de sensibilidade para discernir.
Calma. Ta tudo bem. Ta tudo igual, na verdade.
Inclusive tudo igual a quando tínhamos… 13, 14 anos de idade. Na falta de naturalidade, de leveza, de tato. Na inexperiência, na imaturidade. Em todo esse exagero. E na falta de culhões, porque não?
Pode parecer absurdo, inimaginável, mas você não está partindo meu coração. Não estou morrendo, nem tentando te cercar por todos os lados. E se for o caso de você ter namorada e cometeu um deslize, entenda que existe uma enorme possibilidade de nem se passar pela minha cabeça destruir seu relacionamento e te roubar pra mim. Louco, né?
Acredite; surreal como enredo de ficção científica: eu não te amo.
Seguimos de onde estávamos antes desse erro no percurso, que tal? Não precisa fingir que nada aconteceu, mas também não aja como se um fato tão fora do contexto tivesse comprometido todo o nosso futuro. Eu não sou uma donzela, nem você meu príncipe. Relaxa.
Repito: este texto aqui não foi escrito pensando em você. Não. Nem em você aí. Muito menos em você aí olhando pra tela do computador com a sobrancelha levantada. Não. Na verdade, muito provavelmente, eu nem me lembro mais da maior parte dos que vestirão a carapuça destas palavras.
Mas não adianta repetir. You’re so vain…