A Mulher Perfeita Gosta de Woody Allen!

A mulher perfeita gosta de Woody Allen. O que é completamente diferente de dizer que a mulher que gosta de Woody Allen é perfeita. Não que eu busque a mulher perfeita, mas se alguma mulher pretende ser isso, que goste de Woody Allen, sem isso…

O problema é que se a Laura, com todas as suas infinitas qualidades, paciência e longanimidade de sobra e tale coisa, gostasse de Woody Allen, eu estaria literalmente fodido. Em outras palavras, sem mulher. Porque ela teria assistido “Tudo Pode Dar Certo” e pronto, ganharia a lança. Tenho que tomar muito cuidado com o que vou dizer, pois é como eu falava que tinha me identificado com o personagem do Matt Damon em “Gênio Indomável” e aí tinha que explicar que a identificação excluía totalmente a parte da GENIALIDADE e se restringia na indomabilidade, por assim dizer. Ou seja, eu me via ali nos chiliquinhos, as revoltinhas, e o sentimento de achar que o mundo deve alguma coisa. De novo, só pra não deixar dúvida, nenhuma semelhança com a genialidade. E aí que o personagem do filme do Woody Allen é um velhão extremamente inteligente, mas fora isso, eu me vi ali, daqui uns 30 anos.

Pode ser que toda a falta de paciência dele, a intolerância à burrice e o jeito tosco com os idiotas decorram da mente brilhantemente diferenciada, mas falando por mim, dá pra ser assim sem ser gênio. Tranquilo. Não que seja bacana, nem que eu queira dar alguma espécie de exemplo nem nada, até fiquei preocupado, pois me vi sendo daquele jeito e ainda assim, sem vontade nenhuma de fazer algo a respeito. O meu defeito é achar que os burros deveriam “desemburrecer”, ou ao menos sair do meu caminho, já tava de bom tamanho. Sei que uma das razões pelas quais o meu pai terminou seus dias quase como um Urtigão da cidade sem cachorro está ligado a isso que estou falando, mas não que eu aplauda, só não consigo achar que ele estava errado.

Sei também o quanto isso soa arrogante, pedante, pernóstico e prepotente, mas foda-se! Eu não queria trombar gente idiota pelo caminho. Eu queria que as pessoas passassem mais tempo ouvindo música boa e lendo alguma coisa que não seja Revista Caras. Ou então, que esse povo burro reconhecesse a sua burrice e fizesse algo a respeito, não lutar pelo direito de ser assim e exigir que os aceitemos com seus filmes dublados e discos de alguma bosta universitária. As coisas estão piorando cada vez mais, e cada reclamação cretina desse povo babaca me parece algo como os oficiais da SS nazista dizendo que o choro daquelas crianças famintas durante a noite era insuportável, pois não conseguiam dormir direito.

Mas eu não me deixo enganar: meu coroa não foi segregado do convívio com os amigos por ser inteligente demais, e sim, por ser mais escroto do que precisava. Com todo mundo. E os filmes do Woody Allen, com o perdão da redundância, são bons pra caralho!

4 comments
  1. Rachel Bonetti disse:

    Eu já acho que a sua genialidade também é comparável mas confesso que me divirto muito mais com a intolerância.
    E esse texto também foi escrito para o PA…já encaminhei !

  2. Lívia disse:

    Na boa, não entendo gente que não gosta de Woody Allen… Outro dia tava vendo Vicky Cristina Barcelona, até um filme “menor” dele é melhor que 90% dos filmes que saem por aí. “Tudo pode dar certo” ainda não tive a oportunidade de ver, mas com certeza tá na lista! ótimo texto, como sempre.

  3. Sarah disse:

    (…)

    Ou então, que esse povo burro reconhecesse a sua burrice e fizesse algo a respeito, não lutar pelo direito de ser assim e exigir que os aceitemos com seus filmes dublados e discos de alguma bosta universitária.
    (…)

    Sim, você é pedante, sim você é arrogante, sim, você é prepotente.

    Não só por chamar de burro todo mundo que não tem o gosto igual ao seu, o que já é deplorável. Mas também por achar que você não tem o dever de aceitar as pessoas, que, de acordo com você, são burras.

    Pra que lutar para sermos aceitos, né? Essa gente só gosta de fazer barulho. Discursos assim, pseudo intelectuais na superfície, justificam as barbáries ditas na luta contra a homofobia e os direitos de minoria. Não temos obrigação de aceitar, vocês é que tem obrigação de se adequarem.

    Adequar gosto, orientação sexual, é tudo a mesma coisa. É uma ofensa. Temos o direito de ser quem quisermos, gostarmos do que quisermos, desde que não façamos mal a ninguém, seja permitido e consensual.

    Mas de acordo com um de seus textos, a respeito de uma ex sua, você sequer aceitaria ficar quieto a respeito de um gosto de uma namorada (entenda-se não ofendê-la), então o que podemos esperar da sua reação para com os outros?

    • Você é muito idiota.

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