Por Adriana Cecchi- Artes plásticas, uma trip muito louca e um beck
Primeira coluna de domingo, por autora convidada. Interessado(a) em participar? Instruções aqui.
“Assim, eu to bem sem saber o que fazer. Eu to com uma olheira marcada há dias, bem mais que o normal, e é por não dormir direito pensando na porra da vida.
Vem cá, me diz aí, você que tem foco: cê sempre teve? Cê nasceu sabendo o que queria pra vida inteira? Conta pra mim porque olha.
Aqui quem fala é uma pessoa que com 17 anos se meteu numa graduação de produção audiovisual – cega pela paixão por cinema – e viu que o curso não era lá grandes coisas, daí com 19 apostou tudo que tinha na fotografia e percebeu que prefere muito mais a arte em si do que o comércio que se faz com ela. Aos 20, enfim, trampou com produção e com fotografia e, pronto, não era nada disso. Agora, com 22, tá querendo meter um foda-se mesmo. Pode?
Difícil, eu realmente acho que todo mundo tem um ritmo, mas eu to aloprando. Acho também que não adianta forçar (pelo menos não está adiantando por aqui), as coisas têm que seguir um fluxo natural. Bullshit, tem quem diga que quem não corre atrás, morre na praia. Oi, já morri, como faz pra ressuscitar agora?
Sem esperar pelo fluxo natural e também sem me matar pra correr e dar com a cara na parede, eu resolvi relaxar. Mentira, resolvi mudar a minha visão sobre a vida. Mudei até um pouco o conceito de felicidade, vai se ligando. Eu não quero trampar com um scarpin apertado que obrigatoriamente me fará usar band-aid no calcanhar, assim como não quero ficar num ambiente fechado com três ou quatro pessoas que mal trocam olhares, entre outros trocentos exemplos mais. Você também deve passar por muita coisa que não quer, eu sei, mas eu passei por muita também e nem era porque valia à pena. Por isso essa tal de felicidade martela um pouco na minha cabeça.
Dinheiro, sucesso, carreira, status: todos pro inferno abraçando o capeta. Quero dizer é isso! e sentir que a realização pessoal é maior do que qualquer outra coisa.
Imagino que muita gente se sinta assim ~desesperado~ pra saber o que dessa vida vai ser, mas esquece; esquece que surtar não vai ajudar –garanto! Obviamente não vou meter o louco e sair com um beck na mão vendendo colar de miçanga na rua por puro prazer. Exagerei quando disse sobre o beck, mas era só pro título ficar “interessante”, agora sobre a trip e às artes eu falo sério. Tá, meio sério. É só pra espairecer, afinal eu to com tempo pra isso. To com tempo pra fazer uma viagem e, quem sabe então, clarear a mente. To com tempo pra tentar fazer uma coisa que sempre gostei, mas nunca fui em frente, que é desenhar e – quem sabe então também – clarear a mente pra novas ideias, novos ideais.
Escrevo isso para que eu mesma acredite que isso é só uma fase, e que ela passa e depois que passa a gente sente até saudade.”
Adriana Cecchi
22 anos de muitas linhas e poucas curvas. Formada em Comunicação Digital, cursou Fotografia e Jornalismo Online e hoje ainda tem dúvidas em testes vocacionais.
Seus assuntos prediletos são: cinema, rock, música, arte, comida e capciosidades.
Mais da mesma como Redatora de Merda
Sobre cinema no 1 Filme Por Dia
Twitter @dricecchi
Contato adrianacecchi@gmail.com
Excelente. De verdade. Parabéns!
Obrigada mesmo, Carol!
Beijos
Oba, textos dominicais!
Adriana, muito bom o seu texto. Acho mesmo válida essa busca, essa vontade de achar algo que realmente queira fazer. Contanto que você mesma pague as suas contas, acho que tem mesmo é que se jogar. Boa sorte com tudo aí, viu?
Que bom que gostou, Livia, fico feliz.
Exatamente, auto-suficiência é muito importante.
Obrigada! Beijos
Gostei do ritmo frenético do texto. E não se preocupe com a vida, ela te guiará. As pessoas mais interessantes que conheço tbm nao sabiam o que fazer a certa altura.
Bjo!
Obrigada, Isa!
Ouvir isso é reconfortante, de verdade =)
Beijo
Ih. Eu só fui me descobrir na QUARTA faculdade, aos 24 anos…
Mas é isso. Tentativa e erro. Uma hora a gente acerta. Ou não.
Muito bacana o texto. No ritmo do seu desespero.
Beijo
Olha só!
É, eu também sempre boto esses ‘ou não’ depois de qualquer coisa, acho bom porque é como se fosse um aviso que nem tudo pode ser como quero. Não esperar por muito para surpreender-se, mais ou menos isso.
Obrigada, Marina
Beijos
Muito bom!!! Perguntas que todos nós (todos sim, nem pense em dizer: comigo não) fazemos semanalmente (ou diariamente)… Creio que hoje em dia devamos ser polimórficos, eu já fui de servente de pedreiro à analista de sistemas, de babá (a mãe era linda) à show erótico em zona (vixe deixa quieto)… O foco é uma das coisas mais difíceis de conquistar na atualidade, principalmente devido o a enxurrada de coisas que podemos fazer, já pensei em ser vendedor de cachorro-quente (olha que dizem que ganha um grana boa), lenhador, cafetão e filósofo (mas isto não dá dinheiro)… A vida é um jogo de muitas fases e com cada uma delas vamos subindo de nível…
Ai, que divertido! Adorei!
Exatamente isso que você disse, eu não sei bem o que eu quero, só sei que quero mais [sempre mais] e sigo assim. Não acho que exista certo ou errado, o que dá dinheiro, o que dá isso ou aquilo; depois de apanhar muito, aprendi a dar mais valor ao bem-estar do que a qualquer outra coisa.
E astronauta, por que não? Hehehe
Obrigada pelo comentário
Beijo