Samba
Lembrava uma quadra de escola de samba em tamanho reduzido. Pelo menos é como eu imagino que seja uma quadra de escola de samba, já que nunca estive em uma. Tinha feijoada, uma banda cheia de instrumentos exóticos e que tocava samba. Só havia um problema. Eu odeio samba.
Eu odeio samba e não sei por que não é respeitado o meu direito de não gostar de samba. Sou brasileiro, sim. Meus pais são brasileiros. Meus avós são brasileiros. Mas por isso preciso gostar de samba? Por acaso todo tcheco gosta de polca? “Você não gosta de samba?”, me perguntou a dona da festa, com uma cara de indignação. Dei um sorrisinho quase simpático de negação, pra não ser mal educado, e ela veio com a afirmação que muda tudo. “Mas é samba de raiz”.
Samba de raiz. Porra, e daí? Por acaso samba de raiz não é samba? Beterraba é uma raiz e eu acho uma merda. Samba é outra raiz que eu não gosto. Não gosto de samba de raiz, nem de caule, nem de folhas e nem de frutos, que eu imagino ser o pagode. Pagode vem do samba de raiz. Perceba você que tipo de fruto dá essa raiz. Você gosta de samba? Seu direito. Me deixe não gostar.
Aceito que me digam “odeio rock”. E nem por isso digo para o maluco “mas bicho, isso é Deep Purple, é rock de raiz”. Não gosta, azar o seu. Se você prefere Abraço de Moleque, Cheiro de Pescoço ou Beijo Maroto a Beatles, dane-se. Mas eu sou brasileiro e as pessoas acham que sou obrigado a gostar de samba. Como se a tia do café do Senado fosse obrigada a gostar do Sarney só porque trabalha lá. E porque o Sarney é senador de raiz.
Outra peculiaridade bastante esquisita do samba é que os músicos não sabem montar a bateria. A banda tem nove pessoas num palco apertado, sendo que seis delas tocam, separadamente, pedaços da bateria. Alguém poderia avisar a estas pessoas que é possível conectar todas aquelas peças e colocar apenas um sujeito pra tocar tudo. O grupo precisaria de quatro, e o cachê de cada um seria maior. E não tem guitarra. Banda sem guitarra é tão bizarro que não merece mais do que uma linha.
Minha passagem por aquele lugar que parecia uma quadra de escola de samba durou 36 minutos. Tempo para ver a moça, que foi morar na Europa, e provavelmente vai gostar de polca (de raiz), e de ter certeza que não gosto de samba. E não estou nem aí se é de raiz.
neste mundo subjetivo devemos respeitar o gosto de cada pessoa, desde que respeitem os nossos… existem pouquíssimas coisas que eu não gosto, falando musicalmente… e gosto de beterraba rs
Ufa!! Também não gosto nem de samba, nem de pagode. Me dá uma deprê, te juro. Mas gosto de sertanejo,
… e não de raíz, dos frutos, hehehe. De raíz me dá deprê também.
ADORO SABER QUE NAO ESTOU SOZINHA NO MUNDO! Sim, existimos! Detestamos samba, seja qual que for! geralmente pagode também! Eu também nao gosto de forró. Desculpa, mas é o que tem para hoje (e sempre, se Deus permitir!)
Duro foi ouvir semana passada um aluno na faculdade dizendo que sempre levava as mocas em um samba no primeiro encontro. Morri!
o melhor: ele gosta de uma banda chamada CALANGO ACESO! Juro! existe!
obrigada por expressar o que muitos pensam… parece que nao gostar de samba é heresia…
Esqueci de por e acabei de lembrar porque ouvi a vizinha da frente: sertanejo, seja qual for, NÃO!
Respeitando o fato de vc não gostar de Samba, só uma ressalva: Samba NÃO É Pagode. Pra vc tanto faz, claro. Mas é como dizer que Pearl Jam é a mesma coisa que Creed ou que Lady Gaga é igual a Madonna.
No mais, excelente texto: sucinto e sagaz.
Mas ué? Lady Gaga e Madonna não são a mesma pessoa? Eu jurava que eram…
Putz, vivendo e aprendendo…
hahahahahaa
Tá bom, né? Fazê o quê?
Nem te conheço, mas consegui te enxergar dando um ‘sorrisinho quase simpático de negação’. hahaha Muito bom!
Aí que deu uma vontade de te chamar pra ouvir Cartola… Só pra fazer birrinha
Mas, bem, eu ainda me pego, às vezes, meio adolescente demais dizendo “mas cara, isso é Deep Purple, é rock de raíz, como que você não gosta?”
Eu gosto muito. De Deep Purple e do teu texto.
Boa noite/ bom dia
Lembro desse texto no saudoso estado de circo… rs.
Normal não gostar de samba/pagode de raiz. Se tivesse nascido e se criado onde eu nasci aí sim, seria anormal… hahahhahahahhaha
Rodrigo Borges e seu ódio pelo samba de raiz, do qual compartilho completamente.
Aguardo um texto sobre o ódio pelas ervilhas, do qual também compartilho.
ÊEEE! Eu também ODEIO ervilhas!
Mas peraí, eu gosto de samba.
Ah, foi mal aê.
hahhahaha
Estranho, ninguém me deu porrada ainda. Acho que estou sentindo falta.
Hahhahahahhahahhahaha. Será que nós leitores estamos aprendendo a respeitar a opinião alheia?
Pagode é fruto do samba igual ao Restart do Deep Purple.
Brincadeiras à parte, ótimo texto!
De alguém que gosta de samba e Deep Purple.
Restart é filho do demônio, Antonio. Só pode ser.
Alguém que me entende!
Na verdade, na minha casa todo mundo me entende, mas basta colocar o nariz pra fora e encontro um mundo hostil cheio de pessoas que sabem o que fazer com os pés quando escutam samba, e conseguem até saber o nome dos autores daquelas coisas horríveis.
Sim, sou brasileira, e daí? Isso me obriga e sapatear com uma música que não tem big band nem a voz do Gene Kelly? Não faz o menor sentido!
Samba, como gênero é lindo. A ideia e linda, a historia é linda, mas a questão é que nem tudo que é lindo é mantido pelas gerações que nasceram e cresceram ouvindo história de glórias passadas…
Como o Jazz, o samba nasceu num contexto e morreu com ele. Sim, morreu com o contexto. Como o Jazz também.
Nada que é música pode ser eterno, como o Rock tb virou um nome qualquer pra algo que faz a gente balançar a cabeça com vontade.
Enfim… não sei onde eu tava indo com isso! Ha!
Texto foda, foda, foda! Lembro de quando era roadie de DJ, Goiânia, o pessoal vinha pedir sertanejo, a gente dizia que não tinha, os caras: “Mas nem Christian & Ralf”? Juro que eu tentava entender porque esses dois eram menos sertanejos que o resto.
E na peça “A Frente Fria Que a Chuva Traz”, do Mário Bortolotto, tem um personagem pagodeiro que fica putão quando pedem pra ele cantar um pagode, pois diz que faz SAMBA, SAMBA DE RAIZ!!!!
E tou cagando que eu gosto de samba, mas posso dizer, bom sujeito você é!
Não gostei da generalização. Sou tcheca, tenho 28 anos, e vivo no Rio de Janeiro. Usar a polca como comparação é mais ou menos como achar que o samba de hoje é o mesmo dos tempos de Jose de Alencar. A musica tcheca mudou horrores desde 1850, por incrível que pareça. Nas boates em Praga os jovens não ficam galopando em pulinhos. Quer criticar o samba de raiz, o sertanejo universitário, o forro do falamansa, o pagode do Alexandre Pires, o Pop da Wanessa Camargo, fique a vontade, só não entendo porque precisa tb reduzir a tradição musical de outro pais.
Ok.
Mas não foi uma comparação pejorativa, acho que foi só um paralelo entre as caricaturas culturais da cada país…
Esta crítica me lembrou uma música nonsense do Bidê ou Balde?
“Te fiz um mambo, Melissa
Sobre os cegos da polônia
Sobre o seu umbigo furado
Seus olhinhos puxados”
Além da Polônia, estava tentando entender porque me lembrei desta música. Acho que é o estilo parecido entre o post da Brisa Grilo e a letra…
Oi, Brisa.
Li seus dois comentários (este acima e o que você escreveu mais tarde sobre as mudanças na antiga Tchecoslováquia) e não pude resistir a meter também minha colher nessa troca de ideias. Como você afirmou não ser intransigente acho que minhas linhas vão ser bem recebidas.
Não conheço o Rodrigo pessoalmente e nem tenho procuração para defendê-lo, mas passei a segui-lo no Twitter (@estadodecirco) há pouco e, de longe, é um dos meus preferidos. Muito espirituoso esse moço…
O que entendi quando o ele escreveu “Por acaso todo tcheco gosta de polca?” é que, assim como nenhum brasileiro é obrigado a gostar de samba (um ritmo tradicional brasileiro), nenhum tcheco é obrigado a gostar de polca (um ritmo tradicional tcheco). Só isso. Em nenhum momento se desvalorizou ou reduziu a cultura tcheca (ou mesmo a brasileira).
Tenho absoluta certeza de que a cultura tcheca é muito mais do que polca e que o universo musical do seu país natal vai muito além de um único ritmo, mas a comparação faz bastante sentido haja vista a tradição que ambos os ritmos têm em cada um dos países. Não dá para negar que a polca é tradicional, certo?
Por mais que os jovens de Praga não galopem nas boates tenho certeza que se um jovem tcheco quiser, encontrará locais naquela cidade onde é possível assistir à excelentes espetáculos de polca, assim como em Buenos Aires existem locais onde é possível assistir excepcionais espetáculos de tango e em São Paulo encontramos locais especializados em samba.
Enfim, espero ter contribuído para a discussão.
Há braços,
Ricardo
Esse é o tipo de coisa que não dá pra acreditar. Sério. Mas foi legal, porque eu sempre achei que a Polca era da Hungria, no máximo da Bulgária.
O que será que a Brisa pensa de alguém que até hoje se recusa a não falar Tchecoslováquia?
Não tem como falar Tchecoslovaquia, porque ela não existe mais. Toda aquela região, Austria, Alemanha, Polônia, Eslováquia e, Republica Tcheca, mudaram, por menos que os livros escolares abordem esta trajetória dos países. e se resumam a parar na época da Segunda Guerra Mundial. Ao contrário do que possa parecer, não sou intransigente. Gosto desse site, leio regularmente a maioria dos autores. Me divirto e me identifico. Mas a partir deste comentário sobre a polca, me saltou aos olhos mais uma vez como a maioria tem tratado as coisas de forma tão individual, se esquecendo de todo o contexto global que estamos vivendo hoje. É mais ou menos como aquele livro que o governo quer lançar em que passa a mão nos erros de português inventando o “preconceito linguístico”. Aliás, acho que estou sofrendo preconceito apenas por querer consertar uma idéia de generalização feia, rs.
Legal. Só não concordo com o raciocínio “pagode é o fruto, raiz é o samba, por isso samba é ruim” porque essa linha leva para um “Deep Purple é raiz e Restart é o fruto, portanto a raiz é gay, pobre e colorida”.
Ri horrores. Muito bom. Tbém detesto samba e adoro bons textos. Parabéns.
Rodrigo,
Depois de ler seu texto cheguei à conclusão que gosto de raiz! kkkkkkk
Samba, sertanejo, rock, cenoura e beterraba, adoro todos rsrs talvez isso seja amplo demais, mas gosto da boa música, bem feita e se você me disser que isso não acontece no samba vou te aconselhar a ler as letras de Cartola, Noel Rosa e até mesmo Chico Buarque – que tem sambas lindos.
Tenho amigos que amam rock e odeiam samba e o contrário também. O importante é não nos privarmos da companhia deles por causa do nosso ódio pelo estilo musical, alguns amigos valem sim o sacrificio. Que bom que vc, mesmo tendo ficado apenas meia hora, conseguiu prestigiar um pouco a sua amiga.
Mas o melhor de tudo foi ler seu texto, engraçadíssimo! Descobri o blog hj e após ler alguns artigos ja virei fã!
Beijos
Bem.. eu gosto de samba! gosto muito! samba de raiz.. rs…
pagode não… pagode é mto sofrido… rsrs
mas eu tb gosto de rock!
e eu te entendo… sei como é isso!! qdo eu falo “não gosto de funk!” eu acho que devem fazer a mesma cara que fazem pra vc, ou até pior… “como assim vc não gosta?!”
aaahhhh vai! funk não é música!! talvez se tivessem parado no funk de raiz… rsrs…