no more mr. right guy

chega de amor. chega.
chega da busca pelo amor.

olha, eu já me despedacei toda por causa dessa merda. já quis morrer. já fiz drama. já fiz chantagem emocional. já me desesperei, tive crise de pânico, chorei, disse nunca mais.

já me apaixonei de novo.

eu aos vinte e dois anos era invencível. não tinha medo de nada, acreditava cegamente em ideais belíssimos e escrevia textos idem. escrevia e sentia a eletricidade na ponta dos dedos e o sangue correndo nas veias. escrevia. era a única coisa que importava. o resto era baconzitos. quebrei a cara. quebrei a cara incontáveis vezes. dormia quase nada. acordava pra conversar com as vozes da insanidade que dançavam no teto do meu quarto no décimo-terceiro andar. ficava dias em silêncio. doía. aí eu levantei e colhi todos os frutos do que veio a ser a pior solidão da minha vida. faria tudo de novo. vivi muito e muito rápido. vivi amores que muita gente evita por medo de perder o controle de sua própria vida. eu dirigia um caminhão desgovernado na descida com uma faca entre os dentes enquanto aumentava o som e sentia o vento no rosto. essa era minha vida. foi assim por muito tempo. sem freios e sem pudores. sem medo, sempre.

uma árvore esturricada na beira da estrada, uma plantinha sozinha no meio do deserto sabendo que ia morrer. isso era a vida sem amor na minha cabeça. eu não cogitava arrependimento porque não hesitava entre fazer e não fazer. simplesmente fazia. até o fim, até o fim, até o fim. era o meu mantra. eu girava no globo da morte, eu atormentava minhas próprias noites de sono, eu sofria mas achava que existia um propósito, que era bonito, melhor do que tentar fazer o coração parar de bater. o filho da puta não parava mesmo, eu simplesmente seguia aquele compasso anfetaminado e ia. até o fim.

e agora que escrever mexe nas tripas e eu não quero sujar as mãos?

já me sujei demais. já rolei na terra vermelha. já dormi na sarjeta e já esmolei migalhas. já vivi todos os amores impossíveis e impalpáveis. já me entreguei pisoteando na razão. arranquei lágrimas com minha crueldade irracional. já gastei o que não tinha tentando ser o que jamais serei.

já chega.

aquela minha intensidade febril não tem mais lugar. não quero. não é amargor. não me tornei uma leprosa emocional. não tenho medo. não desaprovo quem rala os joelhos e deixa de lado a dignidade em nome do que quer que seja. fujo dos amores mornos, dos amores práticos, convenientes, óbvios. não espero a ausência de dor. me recuso a ficar anestesiada, a sentir pouco, a sentir o conveniente, a ser comedida para não assustar. não tenho meio-termo, não quero não sentir. o desequilíbrio faz parte da paixão e da falta de chão que o novo traz.

arrebatamento requer entrega. e eu não vou mais me entregar. não sem briga. antes eu simplesmente me deixava levar. agora eu preciso ser abduzida. essa doença que entra e bagunça tudo, essa incerteza que corrói, esse empurrão pro abismo, essa queimação nas entranhas, chega disso, chega dessa merda. chega disso.

(mentira)

16 comments
  1. Esse texto foi meu sonho lúcido de hoje e me fez até respirar fundo, aliviado… Vou fingir que é tudo verdade, pegar pra mim e dormir tranquilo..

    Adorei, Suzu!

  2. Que bom! Prazer ter conhecido e participado do mesmo blog que vc neste ano, menino Andre! <3

    • Prazer todo meu, menina Érica <3

  3. Lívia disse:

    Espero que seja tudo verdade, mesmo! Nem te conheço, mas só pelos seus textos, acho que vc merece ;-)

    • E eu nem te conheço e já te acho linda! hahahahahaha! Obrigada e feliz ano novo!

  4. Viu, fala pra mim se pelo menos o Palmeiras ganhou um mísero título, por favor? Beijo e bom 2000 e tantos pra nós!

    • … mas, Randall… eu sou corinthiana…
      Feliz ano novo pra vc, sua familia. Prazer enorme ter conhecido vc este ano!
      <3

  5. HAHAHAHA! Ai, vou copiar vc e escrever um assim pra ver se dá certo! \o/

    • Vai sim, Alice! Somos os mocinhos do filme. A gente se dá bem no final… ;)

  6. Angela Rosário disse:

    Além de genial, além de bem sucedida ainda é corintiana. Agora me respondam: Tem como não amar a “Zamura”?

    • Feliz ano novo, Angela! Muito obrigada por estar por perto o ano inteiro! <3

  7. sério, reli seu texto e não paro de rir. <3

    • \o/ eu mudei um pouquinho do que eu tinha mandado pra vc! hahahahhahaha!

  8. Tati Marques disse:

    e o meu ano foi ótimo, conheci Érica! <3

    a do rei!!!!!

    • Ai, que linda vc, Tati! Melissa chegando com uma mala de maquiagem! Vamos brincar de salão?… <3

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